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Foto: Divulgação

O crime ocorreu na madrugada de ontem, no Jardim América, em Rio do Sul

A suspeita que a mulher com quem vivia, há mais ou menos um ano, estava saindo com outra pessoa, levou o jovem Fernando Abranges, de 21 anos, a matar Lindaura Maria da Costa, 40 anos, com 22 facadas. O crime aconteceu por volta das 4h de ontem, na Rua Ângelo Tomio, no Jardim América, próximo à construção da nova ponte que liga a região central ao bairro Canta Galo.

A polícia foi avisada por um homem e seu filho que passavam pelo local para irem pescar, já que o terreno fica ás margens do rio, e encontraram o corpo da mulher. Por volta, das 9h a equipe da Polícia Civil começou a investigação, analisando o corpo recolhido pelo Instituto Médico Legal, e procurando possíveis familiares da vítima, que não possuía nenhum documento de identificação quando foi encontrada. Segundo a delegada da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, a Mulher e ao Idoso, Patrícia Zimmermann D’Ávila, suspeitas da equipe foram confirmadas, que a mulher tinha família no antigo Morro da Zona, no bairro Santana. “Lá encontramos o pai da vítima, que afirmou não saber onde ela se encontrava. Depois mostramos uma foto a uma vizinha que confirmou que a vítima esfaqueada era mesmo Lindaura, outra vizinha que estava por perto, disse que possivelmente o companheiro [Fernando] deveria ter cometido o crime, já que ele vinha jurando ela de morte. Saímos dali com o indicativo de crime passional”.

A polícia seguiu após a constatação para a casa onde o casal vivia, próximo ao trevo da bicicleta, na Avenida Aristiliano Ramos, no Santana. No local encontraram o filho da vítima trancado dentro de casa. “O menino disse que não podia abrir a porta porque o padrasto havia saído e levado a chave. Ajudamos ele a pular a janela, conversamos com ele e por fim, conseguimos entrar na casa. Neste instante outra equipe liderada pelo Dr. Costa [Almiro da Costa, delegado da Divisão de Investigações Criminais (DIC)] foi a procura do suspeito, encontrado no seu local de trabalho, um pesque -pague”, explicou a delegada.

Num primeiro momento, segundo a polícia, o suspeito negou o crime, mas quando chegou à delegacia confessou a autoria, e colaborou com a investigação. Entregou a faca do crime que estava em sua casa, lavada, dentro de um pote. Retirou a roupa que ainda estava usando desde o ato criminoso, e apresentava uma mancha de sangue, que segundo ele não era da vítima, e sim de peixe. Então, seguiu com a equipe da Polícia Civil para a reconstrução dos fatos. “Ele contou que foi até o Rancho Country, onde encontrou ela, pediu que uma pessoa fosse chamá-la, o que não ocorreu, então ele aguardou até a vítima sair do local e juntos seguiram em direção a casa onde moravam. Caminhando seguiram pela ponte do galo, passaram pela última rua do jardim América, segundo ele sempre discutindo, quando próximo ao local do crime ele a segurou pelos braços, deu três mordidas e a empurrou pelo meio do mato. Neste instante ele então sacou a faca, que trazia na cintura, e começou a esfaqueá -la. Foram 22 golpes, vários no lado direito, inclusive no braço, compatíveis de defesa, e também algumas marcas no pescoço, onde um dos cortes rasgou a pele e um pouco da carne”, relatou Patrícia. De acordo com o testemunho do suspeito, a intenção era de matar o amante de Lindaura. Outros depoimentos alegaram que violência doméstica era comum entre o casal.

De acordo com o advogado que estava acompanhando o ato, Edson Rodrigues, a polícia ainda vai finalizar as investigações, mas acredita que pelo fato de Fernando ter confessado e colaborado no processo, além de ser réu primário, há possibilidades de benefícios processuais. O suspeito, após a lavratura do auto de prisão em flagrante, foi conduzido ao Presídio Regional de Rio do Sul e ficará a disposição do juízo criminal.

A elucidação foi de responsabilidade da Polícia Civil de Santa Catarina, através Divisão de Investigação Criminal, Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, a Mulher e ao Idoso, Delegacia de Polícia da Comarca e Delegacia de Polícia do município de Agronômica.

O que pensa a família do suspeito?

Chorando, a mãe de Fernando Abranges, Nair do Santos, chegou a delegacia pouco antes das 14h, acompanhada do esposo e também pai do suspeito, Sebastião de Mello Abranges, da filha, do genro e do neto. “Fomos avisados agorinha, não acreditei, passei muito mal. No fim de semana ainda eles estavam lá em casa, e não parecia ter nada errado com eles, mas tinha muito ciúme ali”, contou a mãe.

O pai disse ainda que há alguns meses vieram buscar o filho quase morto. “Ele estava cheio de machucados na cabeça, e não sabemos até agora o que aconteceu”, acrescentou Sebastião, alegando ainda que o filho era um menino calmo, tranquilo e trabalhador.