Cidade
Foto: Divulgação

Cláudia Pletsch/DAV

Uma ação da Associação Cultural Anastácia da Raça Negra (Acarnap) de Rio do Sul pretende homenagear mulheres que realizam trabalhos importantes nos bairros da cidade. O projeto Antonieta, em homenagem à deputada Antonieta de Barros que foi a primeira mulher preta eleita em Santa Catarina através de voto popular, pretende dar visibilidade à mulheres que contribuem ativamente para a transformação social, que fazem a diferença e inspiram a sociedade rio-sulense.

A presidente do Conselho Municipal de Direitos da Mulher de Rio do Sul e ativista social em defesa de direitos plenos, Stéphany Souza, explica que a associação recebe até o dia 19 desse mês a indicação das mulheres, e que na primeira semana de março as indicadas receberão um dia de valorização, com maquiagem, cabelo, unhas e fotos. Ela conta que com as fotos serão feitos quatro outdoors que serão espalhados pela cidade estampando o rosto dessas mulheres como forma de reconhecimento pelos trabalhos prestados. “Na sessão de fotos a gente vai vestir elas com as camisetas da cor do município: branco, amarelo, verde e azul e vamos tirar as fotos e espalhar quatro outdoors pela cidade com frases anti-machismo e anti-violência doméstica”, conta.

Stéphany ressalta que qualquer mulher que realize um trabalho relevante pode ser inscrita e que os trabalhos não precisam ser apenas com outras mulheres. “É para homenagear aquela mulher real, que está próxima da comunidade e que independente de recursos, de órgão federal, de órgão estadual ou de qualquer órgão público faz um trabalho social que impacta a vida de outras pessoas inclusive de outras mulheres”, comenta. A inscrição pode ser feita através do número (47) 9.8893-7353 até o dia 19 desse mês.

A ideia, de acordo com Stéphany, surgiu da vontade de fazer uma ação em homenagem às mulheres e que não pode ser realizada no ano passado em razão da pandemia. “No ano passado com o início da pandemia a gente não pode fazer nenhuma movimentação referente ou em alusão ao Dia Internacional da Mulher, e o Conselho Municipal de Direitos da Mulher sempre faz alguma coisa, a própria Acarnap sempre faz programações, então como não pode haver aglomeração pensamos em alguma coisa que pudesse ser feita como forma de mobilização para que as mulheres pudessem ser vistas, para que dê o destaque para mulheres que não têm esse tipo de reconhecimento e que ninguém sabe quem são. É para mostrar elas, valorizar elas e dizer que a gente sabe que elas existem”, justifica.

Para realizar a ação, a Arcanap conta com o apoio da Secretaria de Saúde, Educação, Assistência Social e Fundação Cultural, além do Centro de Direitos Humanos do Alto Vale e do Conselho da Mulher.

A Acarnap

A Associação Cultural Anastácia da Raça Negra Ação Popular de Região do Alto Vale do Itajaí foi fundada em 20 de julho de 1990 na cidade de Rio do Sul, é uma associação civil de cunho privado, sem fins lucrativos, político partidários ou religiosos.

Surgiu de forma coletiva, independente diante das necessidades das dificuldades encontradas e como forma de resistência da população negra, afro-brasileira que residia na cidade. Tem por missão fomentar, incentivar, fortalecer, agir de forma ética e democrática nas ações de combate a toda e qualquer violação de direitos, crimes de racismo, discriminação e preconceito, de forma coletiva ou individual.

Articula práticas educacionais, pertinentes e diretas, bem como na cultura, identidade política local e cidadania.

A Acarnap tem seu objetivo fundamentado em efetivar atividades gratuitas de alcance geral e amplo, fomenta ações afirmativas de combate ao racismo, promoção do respeito e consciência negra, auxilia na manutenção da auto estima do negro, afro brasileiro de Rio do Sul e região.

A associação realiza várias atividades em âmbito cultural, faz parte de conselhos municipais como: Conselho da Mulher (CMDM), Conselho de Políticas Culturais (CMPC) e Direitos Humanos.

Ela também está alicerçada e ativa no cenário cultural local e regional, realiza vários eventos culturais, como palestras, apresentações de dança, teatro e feiras de artesanato.

A associação trabalha em prol da preservação cultural, respeito à diversidade e enfrentamento à paradigmas sociais históricos.