Alto Vale

Reportagem: Gabriela Szenczuk

A homeopatia vem ganhando espaço na medicina como uma forma de tratamento de diversas doenças, até mesmo em pandemias como a enfrentada atualmente. Trata-se de um tipo de tratamento que utiliza as mesmas substância que provocam os sintomas para tratar ou aliviar vários tipos de doenças. Reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina desde 1980, é uma especialidade médica que desde 1985 passou a ser disponibilizada nos serviços públicos de saúde mundialmente.

Doriano Venturini é médico homeopata em Rio do Sul desde 2011 e explica que na maioria dos casos os remédios homeopáticos trabalham com a individualidade de cada paciente, diferentemente da medicina tradicional, quando para o tratamento de uma determinada doença, utiliza-se as mesmas medicações. “Com a homeopatia, pessoas com a mesma doença vão receber remédios diferentes. Não existe, por exemplo, um remédio para psoríase. Existe o medicamento para a pessoa que tem psoríase de acordo com as repostas e especificidades do organismo daquela pessoa. Isso é a individualização – escolher uma substância específica para aquela pessoa”, conta.
O homeopata também explica que, a única ocasião em que o tratamento homeopático é generalizado é em tempos de pandemia como a do coronavírus. “Em momentos como este, a medicina homeopática estuda como a doença se expressa na coletividade como se fosse um organismo só. A partir de então busca um medicamento que represente a natureza daquela patologia”, diz. Segundo Venturini, historicamente, a homeopatia atua muito bem nas pandemias e é uma ferramenta de grande valor se levada em consideração a prevenção ou até mesmo o tratamento de pandemias. Ainda segundo ele, a cidade de Itajaí já conta com uma política pública que está oferecendo à população tratamentos com homeopatia por conta da possibilidade de prevenção ao coronavírus. A ideia está sendo apoiada pela Associação Médica Homeopática de Santa Catarina, pela Associação Médica Homeopática Brasileira e também conta com o respaldo do Governo do Estado. Além disso, Doriano ainda adianta que duas cidades próximas à Rio do Sul, que ainda estão em fase final do projeto, estarão nos próximos dias incluindo e utilizando a homeoprofilaxia, cujo objetivo principal é a prevenção com medicamentos homeopáticos distribuídos à população.

Inclusão e aceitação no Alto Vale

De acordo com o médico, o Alto Vale do Itajaí tem apresentado um bom nível de aceitação à este ramo da medicina que aos poucos ganha mais espaço. “Os medicamentos e tratamentos homeopáticos, além de serem menos agressivos por serem mais naturais, são rápidos, práticos e têm menos química e efeitos colaterais.” O médico relata, ainda, que os pacientes que já conhecem a homeopatia e fazem tratamento homeopático têm demonstrado maior interesse nos medicamentos nesta época de pandemia, pois sabem o quanto este viés medicinal contribui para o organismo humano.

Uma paciente de Rio do Sul, que preferiu não se identificar, relata que teve problemas com a menstruação. Além de desregulada, havia grande fluxo. Ela procurou atendimento em médicos tradicionais e, não tendo resultados, aderiu à homeopatia. “Hoje não sofro mais com a questão e indico este tipo de medicina, pois além de ter resolvido, não teve efeito colateral para o meu organismo.”

Gilberto Raulino, de 51 anos, também é morador da Capital do Alto Vale e conta que procurou tratamento homeopático quando foi diagnosticado com pedra nos rins. Com ele não foi diferente e o resultado foi positivo. “Fui muito feliz no tratamento. Não tive nenhum efeito colateral, meus rins funcionaram melhor do que antes e eu recomendo a homeopatia”, conclui.

Mundialmente reconhecida

Em 1918, a Gripe Espanhola dizimou 1/3 da população da Europa. Naquela época já se utilizava a abordagem homeopática e de todos os pacientes que aderiram a este tipo de tratamento, apenas 1% foi a óbito. Em 2007, em São Paulo, em meio a uma epidemia de dengue ocorreu uma campanha homeopática promovida pela Secretaria Municipal de Saúde. Com isso foram medicadas 12.182 pessoas, notando-se redução na incidência da doença de 66% desta população.
Em Blumenau, em 1998, usou-se o Meningococcinum contra a meningite em 65.826 pessoas, e apenas 4 apresentaram o quadro da doença, contra 20 casos no grupo controle, com 23.532 pessoas.