Alto Vale
Foto: Divulgação

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

O Hospital e Maternidade Dona Lisette, em Taió, vem chamando a atenção para a importância da doação de sangue. Há um mês funcionários se uniram para ir até o Hemocentro de Santa Catarina (Hemosc), em Lages e contribuir com o banco de sangue. Após perceberem a procura das pessoas para fazer a doação, a instituição buscou parceria com a Secretaria de Saúde do município e agora está organizando doações mensais. A agenda para a próxima data que é o dia 3 de outubro já está fechada.
Segundo o gerente de Enfermagem, Wagner Fritsche, a iniciativa surgiu porque a unidade tem parceria com o Hemosc e como o estoque de sangue estava baixo, os funcionários promoveram a doação. “Temos uma parceria com o Hemosc de Lages, são eles que fornecem plaquetas, plasma e concentrado de hemácias para nosso hospital. Em virtude da pandemia e da baixa no estoque deles, promovemos entre os funcionários a doação, no dia 22 de agosto, em nove pessoas”, conta.
Ele explica que depois dessa primeira doação eles postaram fotos nas redes sociais e viram a procura da população, foi quando decidiram buscar a ajuda da Secretaria de Saúde. “A primeira vez fomos em nove pessoas, na segunda vez, em setembro foram 21 doações. Agora o plano é levar uma vez ao mês uma van com 12 pessoas”, afirma. Ele disse ainda que para o mês de outubro a van já está cheia e que para novembro já está quase fechada também.
Para agendar a doação e garantir o transporte gratuito é preciso ligar para o Hospital e informar sobre a vontade de participar da ação. “Os interessados podem entrar em contato com o hospital no número (47) 3562-0226, que o pessoal já está orientado sobre como fazer para organizar as datas”, completa.

Para onde vai o sangue doado

O coordenador administrativo do Hemosc de Lages, Maurício Hermes, diz que há um único estoque para distribuição no estado e que isso faz com que haja uma redistribuição conforme a necessidade de cada hospital. “Nós consideramos os nossos estoques como estoque único. Isso faz com que haja uma redistribuição no estado todos os dias. Então, quando há uma chamada solicitando doação de sangue inclui todos os hemocentros, porque não necessariamente o sangue doado em Lages, fica em Lages. Ele pertence ao estoque geral que é possível conferir no site do Hemosc. O sistema é atualizado diariamente e os níveis consideram todas as unidades”, conta.
As campanhas de captação de doadores são realizadas de acordo com os níveis de tipos sanguíneos em estoque. Ele conta que no momento o Hemosc precisa de sangue tipo O+ e A+. “Isso é raro acontecer, normalmente a gente precisa de sangues do tipo negativo, mas devido a demanda houve uma utilização maior desses grupos e nós tivemos uma preocupação maior com esses tipos”, avalia.

Doação de sangue na pandemia

Com a pandemia, algumas adaptações foram necessárias para manter os estoques e garantir a segurança dos doadores. Segundo o coordenador, os agendamentos foram priorizados. “Priorizamos essa forma de atendimento para que a gente consiga manter o menor número possível de pessoas em um mesmo ambiente. É uma preocupação, além de tudo o que a lei exige, com a verificação da temperatura na entrada, uso de máscara, higienização das mãos. Então, nós temos essa postura na rede. No site disponibilizamos o contato de todas as unidades do estado e todas estão trabalhando com agendamento. Isso é importante porque a pessoa consegue chegar no horário, tem prioridade no atendimento e todas as preocupações, então as doações estão acontecendo de forma mais rápida porque a pessoa não perde tempo esperando e não há aglomeração, facilitando o trabalho”, comenta.
Em entrevista ao DAV, Maurício Hermes falou também sobre um estudo com o plasma convalescente que vem auxiliando no tratamento à pacientes com covid em estado grave. A linha de pesquisa usa o plasma do sangue de pessoas recuperadas da doença e que já desenvolveram resposta imune ao comportamento do vírus. “O Hemosc está sendo pioneiro em uma pesquisa que é o plasma convalescente. São pessoas que já tiveram covid, que já passaram pela doença e que não apresentam mais sintomas há pelo menos 30 dias. O sangue desse doador é utilizado para fazer tratamento para outras pessoas que tenham covid. Estamos tendo resultados muito positivos dessas pessoas que desenvolveram o estado mais graves da doença, que estão nas UTI’s, eles começaram a receber esse plasma convalescente e estão tendo uma resposta imunológica muito positiva. É claro que existem vários critérios, por exemplo: No caso de mulheres, ela não pode ter tido gravidez ainda, mas essa pesquisa do plasma convalescente, o Hemosc no Brasil tem sido referência, e os resultados são bem animadores”, finaliza.

O que é preciso para doar

Para fazer a doação é preciso ter idade entre 18 e 69 anos, estar em boas condições de saúde, sem feridas ou machucados no corpo, pesar mais de 50 quilos, além de ter se alimentado bem nas quatro horas que antecedem a doação, não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 12 horas e ter dormido bem na noite antes da doação.
Doar sangue é uma decisão séria e por isso exige cuidados. Para conferir outros pré-requisitos basta acessar o site (hemosc.org.br/doacao-de-sangue) e ver quais são as recomendações.