Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinada a pacientes com Covid-19 do Hospital Doutor Waldomiro Colautti, em Ibirama, encerrou suas atividades após 14 meses e 19 dias de funcionamento. A decisão foi tomada em razão da baixa taxa de ocupação dos leitos e da melhora na classificação da Matriz de Risco Potencial no estado de Santa Catarina.

A diretora da unidade, Silvana Leite da Costa, conta que além dos fatores técnicos para o fechamento, o encerramento das atividades foi importante para que outros setores da instituição voltem a funcionar normalmente.

“Além desses fatores técnicos, nossa UTI encontrava-se de forma adaptada, ocupando espaço de outros setores importantes da unidade e que necessitam voltar para um fluxo normal de atendimento. Temos as cirurgias eletivas represadas, além de novos serviços a serem oferecidos, agora será um novo momento de novos trabalhos e continuidade do serviço que já prestamos”, esclarece.

A baixa nos números de internação, para a diretora, é um reflexo do avanço da vacinação no estado. Silvana destaca que apesar do encerramento das atividades da UTI Covid neste momento, a pandemia não acabou e todos os cuidados devem continuar.

“Para se ter noção, dos sete pacientes que tivemos na UTI, no último mês, cinco não haviam tomado a vacina e desses um acabou falecendo. Os números mostram isso, a ciência está aí para comprovar. Fica um apelo para as pessoas que ainda não se vacinaram para que se vacinem porque é uma das nossas maiores forças para combater isso tudo. A pandemia não acabou e precisamos continuar com os protocolos de segurança, usando máscara, higienizando as mãos, evitando aglomerações e vacinando”, acrescenta.

Questionada sobre o motivo da não manutenção dos leitos de UTI para outros tipos de demandas, Silvana enfatiza que os leitos foram colocados de forma urgente, como uma emergência para conseguir fazer os atendimentos da demanda da covid, mas que não poderiam continuar funcionando porque não atendiam os critérios exigidos.

“A UTI Covid para se manter do jeito que estava não tinha como porque não atende às exigências impostas, ela foi usada apenas em um momento de emergência. Mas vimos isso de forma positiva, porque muitas vidas foram salvas, além disso tivemos melhorias nas tecnologias, equipamentos, mobiliários, as camas que todas ficaram e já foram realocadas em outros setores. Aumentamos também o quadro funcional que vai resultar em um melhor atendimento para a população”, explica.

Caso haja um novo aumento de casos, a diretora afirma que a unidade estará à disposição dos pacientes para realizar os atendimentos da mesma forma. “A gente entende como antes precisou uma força tarefa, uma mobilização rápida para resolver, absorver a demanda, se caso houver um novo aumento, voltaremos a atender. Uma posição que entendemos como certa, ainda não conversamos com a Secretaria do Estado, mas é algo que naturalmente deve ocorrer”, avalia.

Aumento dos leitos

No dia 7 de setembro de 2020 foram abertos os primeiros 10 leitos exclusivos para pacientes com covid no Hospital Doutor Waldomiro Colautti e no dia 12 de maio de 2021 foram abertos mais 10, também exclusivos, totalizando 20 leitos. Antes disso, a unidade já trabalhava com 10 leitos na UTI Geral e atendia alguns casos de covid-19.

Por falta de espaço físico, o local das internações dentro do hospital foi readequado algumas vezes. Silvana conta que primeiramente houve uma troca da clínica pediátrica para a maternidade. “Nós fizemos os primeiros 10 leitos na clínica pediátrica do hospital porque era uma clínica de menor taxa de ocupação e então deslocamos a pediátrica para a maternidade. Uma forma de adaptar porque não tínhamos espaço físico para isso. Os outros 10 leitos não couberam na pediatria e então migramos para clínica cirúrgica e a clínica cirúrgica foi para a pediátrica, houve outra troca. Na clínica cirúrgica temos 33 leitos e naquele momento as cirurgias eletivas estavam suspensas, então foi a melhor solução”, comenta.

Internações na UTI Covid

Somente nos 20 leitos exclusivos para covid-19, sem contar os atendidos na UTI Geral, foram um total de quase 300 internações desde a abertura. Silvana explica que apesar do fechamento, alguns benefícios permanecem.

“Tivemos um total de 290 internações. Foram pessoas de todas as regiões do estado, nos momentos mais críticos tivemos pacientes de outras regiões também, mas com a melhora dos indicadores, da Matriz de Risco, a gente observou que a taxa ficou baixa. Tivemos meses com um ou dois pacientes. Verificamos que desde agosto não havia paciente de UTI aguardando em fila, houve um reflexo da vacinação e diante desse novo cenário com melhores condições não havia motivos para continuar com toda uma equipe mobilizada sem ter pacientes. É gestão de recursos públicos, gastos”, finaliza.