Alto Vale
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Açúcar mascavo, chás de ervas desidratadas, filé de tilápia, mel puro de abelha, polpa de frutas naturais para sucos, suco de uva natural, biscoitos integrais e livres de conservantes, macarrão caseiro e pitaya. O cardápio, além de saudável, é delicioso e enche os olhos dos estudantes da rede municipal de ensino de Ibirama.

Diariamente, a Secretaria de Educação de Ibirama serve cerca de 5 mil refeições aos estudantes. Grande parte desses produtos são oriundos da agricultura familiar, de produtores rurais do município. Dados divulgados pela pasta mostram que, entre 2016 e 2021, estes recursos, que possibilitam um incrementando à renda do homem do campo, aumentaram de R$ 32.191,00 para R$ 245.522,00, um percentual de 770%.

O número também é significativo em relação ao número de fornecedores. Em 2016, eram apenas três, saltando para 16 em 2021, um aumento percentual de aproximadamente 532%. “Só não compramos mais, pois infelizmente, a capacidade de produção de alguns produtores não atende a demanda da Secretaria de Educação, como também, existem alguns produtores que não têm interesse em participar desse processo”, explicou a secretária de Educação, Marilene Collet Krause.

O produtor Jonathan Alex Barth, que tem sua propriedade no Distrito de Dalbérgia, fornecedor de morango congelado, tomate, pepino, abobrinha e cenoura, explica que o fornecimento de alimentação escolar é uma das alternativas mais viáveis em seu negócio. “Trabalhar na agricultura está cada vez mais complicado. Os insumos de produção estão cada vez mais caros, com alto custo de produção, e no PNAE conseguimos agregar valor no produto, com valor superior ao que é comercializado para revenda nos supermercados, com certeza isto influencia diretamente em maior renda para família. É uma satisfação muito grande, fornecer um alimento de qualidade e produzido aqui no município”, explicou Barth.

O investimento total na alimentação escolar do município gira em torno de R$ 1 milhão por ano. Os produtos que não podem ser adquiridos diretamente do produtor ou estabelecimentos comerciais locais, são adquiridos por meio de processos licitatórios. “A aquisição dos produtos segue normas definidas pelo Ministério da Educação, como também, os critérios definidos pela nutricionista da Secretaria de Educação, que preza por um cardápio rico, nutritivo e balanceado”, explicou Marilene Collet Krause.

Segundo explica o prefeito de Ibirama, Adriano Poffo, em muitos casos a alimentação escolar serve como complemento nutritivo aos estudantes, principalmente os de famílias mais carentes. “Inclusive, durante a pandemia, sem a realização de aulas presenciais, a equipe da Secretaria de Educação preocupou-se com a importância da rotina alimentar das crianças e distribuiu milhares de kits de alimentação às famílias dos estudantes, de forma que não fizemos marketing em cima disso pois acreditamos que esse é o dever do poder público”, argumentou.

Prefeitura de Ibirama abre edital para compra direta do agricultor

A Prefeitura está com Edital de chamada pública aberto para aquisição de alimentos oriundos da Agricultura Familiar de Ibirama para o cardápio da alimentação escolar no município. A chamada atende as normas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e do Plano Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Os interessados devem acessar o edital no site da Prefeitura de Ibirama  até o dia 4 de fevereiro, prazo máximo para participação.

No edital constam mais de 30 itens alimentícios, entre frutas, verduras, legumes, cereais, peixes, carnes e sucos naturais. “Convidamos mais produtores rurais do município para que participem do programa, pois dessa forma poderemos comprar cada vez mais itens alimentícios aqui no município. É uma forma de ofertarmos alimentação de qualidade as crianças e renda ao homem do campo”, comentou Marilene.

Os interessados que tiverem alguma dúvida em relação a documentação e a forma de participação, podem entrar em contato com o telefone 3357-8510.

Produção é fiscalizada pelo Conselho de Alimentação Escolar

Além da supervisão minuciosa da  nutricionista da Secretaria de Educação, Fabiana Regina Radloff,  responsável pelo cardápio, o Conselho de Alimentação Escolar (CAE), faz visitas rotineiras aos produtores rurais com objetivo de acompanhar o sistema de cultivo dos alimentos.

O conselho pode ser formado por representantes das Associações de Pais e Professores (APPs) das escolas da rede municipal de ensino e também de quaisquer outras entidades da sociedade civil organizada, cada uma com direito a duas vagas no conselho.

O CAE é um órgão colegiado, de caráter fiscalizador, permanente, deliberativo e de assessoramento instituído no âmbito municipal. Conforme explica a Fabiana, “cabe aos conselheiros zelar por uma alimentação escolar adequada e saudável, exercendo o controle social e sendo porta-voz dos estudantes, para que seja garantido assim, o direito humano à alimentação adequada e à segurança alimentar e nutricional”, explicou.