Alto Vale
Foto: Divulgação/ Academa

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

O biólogo ibiramense Silvio Murilo Cristóvão da Silva foi coautor de um dos projetos vencedores do Prêmio de Valorização da Biodiversidade de Santa Catarina, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), que chega a sua terceira edição. A premiação veio com um estudo sobre a preservação de espécies reófitas e endêmicas do rio Itajaí-Açu.

O projeto “Caracterização polínica de Raulinoa echinata R.S. Cowan, Dyckia brevifolia Baker e Dyckia ibiramensis Reitz” foi desenvolvido por Silvio Murilo junto com a Dra Denise Monique da Silva Mouga e Bruna Tereza Possamai da Universidade da Região de Joinville (Univille).

A pesquisa foi premiada na categoria Raulino Reitz, que reuniu trabalhos voltados à recuperação, conservação de matas ciliares e da vegetação atrelada aos recursos hídricos do nosso estado. “Esse trabalho apresenta a caracterização polínica de espécies reófitas e endêmicas do rio Itajaí-açu. Também dá visibilidade aos resultados e permite o planejamento e a implementação de medidas de preservação e conservação dos ecossistemas naturais, o que é relevante porque permite atender a objetivos de desenvolvimento sustentável”, destaca.

O biólogo comenta que é especializado no monitoramento, reprodução e reintrodução destas plantas em áreas naturais com estudos inéditos e ficou feliz pelo reconhecimento. “É com muita honra que recebi a notícia de que o projeto no qual sou coautor foi um dos premiados nesta terceira edição”, comenta.

Proteção da biodiversidade

O Estado de Santa Catarina está inserido na Mata Atlântica, que é responsável por uma parcela significativa da diversidade ecológica do Brasil. Esse bioma está presente em 17 estados. Mas, por estar em uma faixa litorânea, em que vivem mais de 80% da população brasileira, é também o mais devastado.

Restam hoje apenas 12,4% da cobertura original da Mata Atlântica. Seria preciso ao menos 30% para garantir a conservação, segundo artigo publicado na revista Science.

Segundo a coordenadora de projetos na Fapesc e responsável pelo Prêmio de Valorização da Biodiversidade, Márcia Patrícia Hoeltgebaum, das 46 mil espécies de plantas registradas no país, mais de 20 mil foram identificadas na Mata Atlântica. E mais: metade delas são de ocorrência exclusivas desse tipo de bioma.

“Santa Catarina detém cerca de 28% da cobertura florestal remanescente. Então, ações de conservação devem ser priorizadas no Estado”, defende Márcia, que também é bióloga e pesquisadora.