Alto Vale
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Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Aline Bianca Cocta Ndili, que vive na Terra Laklãnõ em José Boiteux, faz parte do pequeno percentual de indígenas brasileiros que conseguiram chegar ao ensino superior, mas o ingresso no curso de Enfermagem representava apenas o início de uma longa batalha que as minorias têm para garantir o acesso à educação. Depois de anos de dificuldades, agora ela já faz estágio para concluir a graduação, mas pede a ajuda da comunidade para quitar a dívida que tem com a universidade e finalmente conseguir o tão sonhado diploma.

A jovem de 27 anos conta que se formou no ensino médio na escola indígena e sempre quis poder fazer uma faculdade para depois trabalhar contribuindo com sua comunidade. O curso escolhido foi o de Enfermagem no qual ingressou em 2014. Ela chegou a conseguir bolsa de 80% por um período, mas depois acabou perdendo o benefício e passou a ver as dívidas se acumularem. Outra dificuldade era o deslocamento diário da aldeia onde vive até a universidade, em Blumenau.

Os irmãos que também ingressaram no ensino superior acabaram desistindo, mas ela se manteve resiliente apesar de todos os obstáculos.  “Tive até que parar de cursar por um tempo, e quando dava fazia umas matérias, mas nem sempre tinha dinheiro para pagar a rematrícula. Assim foram meus dias, anos de muita luta para chegar ao final da faculdade”, relata.

Para se manter Aline fazia bolos, doces e salgados por encomenda, mas nos últimos meses ficou praticamente sem renda porque chegou ao último semestre do curso e precisa fazer estágio diário. “Agora estou ficando em Blumenau durante a semana, de favor na casa de uma conhecida e não estou podendo nem fazer os meus bolos para vender e ficou cada vez mais difícil. Estou me virando, trabalhando sábado e domingo apenas para poder ter dinheiro para me manter na semana”, disse.

Depois de muitas negociações e renegociações para se manter no curso de enfermagem, atualmente a dívida da jovem é de mais de R$ 40 mil, uma quantia que ela não tem como quitar. Por isso está pedindo a ajuda da comunidade através de uma vaquinha virtual. “Sempre fui pagando a rematrícula para poder voltar a estudar e assim negociando e renegociando a dívida e com isso os juros foram aumentando. Como estou no último semestre preciso até junho quitar essa dívida para retirar meu diploma e não tenho esse dinheiro, por isso decidi pedir ajuda através da vakinha.”

Ela garante que depois de formada quer trabalhar como enfermeira no atendimento aos povos indígenas de sua aldeia. “Apesar de todas as dificuldades, nunca quis parar e consegui chegar até aqui, agora só preciso desse dinheiro para poder realizar meu sonho. Quero ser enfermeira e atuar onde mais amo, principalmente nesse momento de pandemia. Como moro na aldeia e conheço a realidade do meu povo estaria diretamente ligada a comunidade para atuar na prevenção e no combate à covid”.

Para contribuir basta clicar aqui: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajuda-para-pagar-a-faculdade-aline-bianca-cocta-ndili