Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Foi realizada nesta quarta-feira (22) a abertura da semana dos 107 anos de pacificação indígena em José Boiteux. Para o povo da terra Laklãnõ, o dia é um marco histórico e representa a luta dos Xokleng pela sobrevivência, resistência e conquistas.

A data é comemorada porque além de ter um significado histórico na cidade, existe uma lei sancionada em 2018 que institui a data como Dia Municipal da Pacificação dos Índios Xokleng, destinada a preservação da cultura dos povos indígenas do município. Durante ato de abertura dos “107 anos de luta”, na Escola Indígena de Educação Básica Laklãnõ, o prefeito Adair Antônio Stollmeier acompanhou apresentações culturais e visitou exposições.

Pico, como é conhecido, explicou que 22 de setembro ficará guardado sempre na história porque marca o encerramento dos conflitos que existiam na região, onde centenas de índios foram mortos. “O que sabemos na história é que naquele tempo muitos indígenas foram mortos na disputa por terra e no dia 22 de setembro de 1914, o Dr. Eduardo passou a fazer a mediação desses conflitos, por isso nos lembramos da data como início da pacificação”.
Segundo o cacique presidente da Terra Indígena Laklãnõ, Nilton Ndili, embora os conflitos tenham acabado há mais de 100 anos, a história de sofrimento, lutas e resistência permanece viva dentro de cada um deles.

“Esse 22 de setembro é um marco histórico muito importante para nós onde o índio passou a ser valorizado. Essa comemoração é muito importante para os nossos filhos, para a nossa comunidade porque nessa desta começou a luta pela sobrevivência, luta pelos nossos direitos, cultura, pelo povo Xokleng. Essa data é muito importante desde o pequeno até o mais velho, porque são muitos anos de resistência, sofrimento e também de conquistas. Depois de 1914 estamos avançando, conquistando espaço na sociedade”, ressalta.

Um pouco da história

Eduardo de Lima e Silva Hoerhann foi o responsável pelo encerramento dos conflitos em razão de terras que existia entre índios e “bugreiros” que chegavam no Alto Vale para matá-los e poder habitar as terras. Com a chegada de Eduardo, em 1914, ele conseguiu contatar os Xoklengs e ganhar a confiança de três líderes e os convenceu de que ficar nas terras, que foram demarcadas 12 anos depois, seria a única maneira de sobreviver. O local ficou conhecido como a primeira reserva de índios em conflito com a população branca, no Brasil.