Alto Vale
Foto: Alan Garcia

Reportagem: Cláudia Pletsch/DAV

A manhã dessa quarta-feira (28), foi marcada por um protesto dos indígenas da Terra Laklãnõ. Eles bloquearam a BR-470 em Ibirama em uma manifestação cobrando a demarcação das terras indígenas, assunto que já vem sendo discutido há décadas e que podeteria ter uma definição nesta semana, mas que acabou sendo adiado novamente.

Segundo os líderes do povo Xokleng, na data o Supremo Tribunal Federal (STF) faria voltação sobre a demarcação das terras indígenas, mas o assunto foi retirado de pauta sem motivo. Um dos organizadores do protesto, Jeonilto Crendo, diz que a justificativa para o assunto não ter sido abordado é que haviam outras pautas para serem votadas. “Nós estamos hoje lutando pelo julgamento das nossas terras que era para acontecer hoje e não foi abordado, e também contra o Marco Temporal que não é constitucional e não é a nosso favor. Nós estávamos organizando esse manifesto em Brasília, mas como foi retirado de pauta decidimos fazer aqui, para chamar a atenção dos nossos governos que nós ainda estamos aqui, a única etnia no Brasil do Povo Xokleng Laklãnõ, é por isso que nós estamos batalhando”, relata.

O protesto que durou cerca de uma hora bloqueou a BR-470 e impediu a passagem dos veículos. Os indígenas dizem que essa foi a maneira encontrada para que as autoridades saibam que eles não deixarão de lutar pela demarcação das terras. O juiz da Terra Laklãnõ, Livai Pate, afirma que que atualmente o governo não tem interesse em resolver o problema definitivamente. “O interesse deles não é a demarcação de terras e por conta disso não foi feita essa votação hoje. Queremos que o Governo Federal e o Supremo Tribunal Federal fiquem sabendo que a comunidade dos indígenas ainda é resistente, ela precisa dessa demarcação o quanto antes. O Marco Temporal que foi feito define que os indígenas que ocupavam as terras desde 1988 seriam os donios legítimos dos imóveis, mas esse Marco Temporal para nós não tem validade pois retira todos os nossos direitos e nós achamos que a lei tem que ser cumprida. Na constituinte diz que Terras Indígenas têm que ser demarcadas”, justifica.

Somente depois desse processo de votação do Supremo Tribunal Federal os moradores das terras Laklãnõ terão acesso as escrituras e o Cacique Neudo Pemba Ndili, da aldeia Kóplág, ressalta que essa é uma reivindicação que já dura décadas. “A gente espera já há muito tempo. Eu tenho 36 anos mas meu pai conta histórias que já faz cerca de 40 anos que nós estamos esperando por esse momento que é histórico. Essa demarcação é muito importante para nós pois a população vem crescendo. Nós temos nossas terras que estão desmoronando por causa da barragem . Temos muitos indígenas morando em áreas de risco, então a gente precisa dessas terras”, completa.

O protesto gerou reações diversas, positivas de quem apoiava a manifestação e negativas de alguns motoristas que tiveram que ficar parados no trânsito. O caminhoneiro Jonatan Fabiel Ruskowski, se sentiu prejudicado com o manifesto. Ele conta que não sabia do motivo do protesto, mas precisava chegar a empresa até o meio dia ou não conseguiria mais entrar no local. “Atrapalhou um pouco mas não sei qual o motivo. Cada um faz o que quiser mas para nós atrapalhou um pouco pois nós temos horário para chegar na empresa, que depende da carga que estamos levando para abastecimento, se não chegarmos até meio dia a fábrica começa a parar”, explica.

Agora os indígenas aguardam um posicionamento do Supremo Tribunal Federal com uma nova data para a definição sobre a demarcação das terras.