Alto Vale
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Helena Marquardt/DAV

Depois de um período de muitas dificuldades trazidas pela pandemia, o setor industrial começa o ano com boas perspectivas. Prova disso é que o segmento oferece centenas de oportunidades de emprego. No Alto Vale a demanda por vagas técnicas tem crescido e muitas vezes faltam até pessoas interessadas ou capacitadas para determinadas funções.

O diretor da Indústria de Caldeiras do Vale do Itajaí (Icavi), de Pouso Redondo, Jean Carlos Dalmarco, conta que desde o ano passado a empresa já investiu na ampliação do parque fabril. Prevendo um crescimento que agora já mostra os primeiros resultados. “Mesmo com a pandemia atingimos a nossa meta de vendas e fizemos um investimento bastante grande para dobrar o nosso parque fabril, que hoje conta com mais de 300 colaboradores diretos. Estamos apostando que em 2021 o mercado vá crescer ainda mais”, disse.

Para atender essa demanda a empresa também abriu dezenas de oportunidades de trabalho e Jean conta que encontra dificuldade em relação à mão de obra especializada. “Está bastante difícil e temos trazido mão de obra de outros estados, criado estratégias, mas sempre temos uma necessidade de contratação bastante grande. Hoje são cerca de 50 vagas abertas”, revela.

Aline Kammers é head de Gente de Gestão na RIO, em Rio do Sul, e comenta que na empresa o cenário também é de otimismo. No final do ano eram cerca de 90 vagas em aberto e neste mês 40 ainda estão disponíveis em vários setores. “Começamos o ano com muitas oportunidades e é possível consultar todas essas vagas no site da empresa, que são para diversos setores. É um ano que estamos acreditando que teremos muitas oportunidades. Desde junho do ano passado já viemos registrando um crescimento e ele deve se acentuar ainda mais em 2021”, ressaltou.

O empresário Silvio Prim, dono da Proaço de Ituporanga revela que a perspectiva é de 30% a 40% de crescimento, mas falta mão de obra para suprir toda a demanda. “Tenho 75 vagas abertas na minha empresa que não consigo preencher há cerca de sete meses. Temos vagas para diversas funções e setores e algumas vezes temos que contratar pessoas de fora. É difícil ser empresário no Brasil”, enfatiza.

Capacitação abre portas

A supervisora de Educação dos Cursos Técnicos e Aprendizagem Industrial, Daiana M. Buzzi Neiman, afirma que o mercado está aquecido. “As empresas estão oferecendo muitas vagas técnicas e nos pedem indicação de alunos para contratação”, afirmou.

O fato também foi constatado pelo Observatório da FIESC, que divulgou um relatório do IBGE mostrando aumento de 11,1% na produção industrial de Santa Catarina, entre novembro de 2019 e novembro de 2020. Dos 12 setores analisados, 11 tiveram melhora na produção, sendo que o destaque foi o setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos.

Neste contexto, a formação técnica ajuda a abrir portas. Diego Adriano da Silva é um exemplo. Ele trabalhava como eletricista industrial antes de se tornar aluno do Senai de Rio do Sul. “Minha formação técnica foi em Eletromecânica e depois em Automação Industrial. Tudo o que eu aprendia, implementava nas empresas que trabalhava”, ressaltou.

Ele afirma que os cursos, além de abrirem um leque de possibilidades no mercado, também orientam como agir na indústria, como se comunicar, inclusive incentivando o empreendedorismo. “Eu poderia ser o melhor eletricista industrial, mas sem a formação técnica não teria acesso às oportunidades que surgiram”.