Política
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Reportagem: Helena Marquardt/DAV

O pré-candidato a governador de Santa Catarina pelo PSDB, Gelson Merísio, cumpriu agenda em Rio do Sul para falar com filiados do partido sobre as prévias que vão escolher quem será o candidato do partido a presidente da república. Na visita concedeu entrevista ao Diário do Alto Vale onde falou sobre os planos para 2022 e destacou que o Governo do Estado não tem feito planejamento como deveria e está apenas “sobrevivendo”.

Na capital do Alto Vale ele defendeu a escolha do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, como o nome que seria uma terceira via para o Brasil. “No dia 21 vamos escolher o candidato do PSDB a presidente da República, entre o João Dória de São Paulo e o Eduardo Leite do Rio Grande do Sul e nossa visita aqui é para conversar e debater o tema para saber o que é melhor para o Brasil e para o nosso partido no projeto estadual. Desde o princípio entendo que o Eduardo Leite propicia uma condição efetiva de se construir uma terceira via. Entendo que o perfil do governador do Rio Grande do Sul é afeiçoado ao momento do país que está cansado dos polos extremos, do Lula ou Bolsonaro. O que falta é um personagem que possa representar a união, a integração, a capacidade de gestão e no caso do Eduardo a juventude, não de idade, mas de ideias e concepções, além do bom trabalho”, disse.

Questionado sobre o motivo de ter deixado o PSD, partido do qual foi fundador em Santa Catarina e pelo qual concorreu a governador em 2018, ele afirmou que sentiu um desgaste diante do rumo que as eleições tomaram. “Não saí por nenhuma briga pontual, nenhum desentendimento com a base do partido. Entendi que tinha encerrado um ciclo, a forma da disputa acabou desgastando a relação com alguns outros pré-candidatos e eu entendi que não ficaria mais a vontade exercendo esse papel e que o PSDB, por ter um projeto nacional sólido, poderia ser exatamente o contraponto do que foi 2018”, explica.

Para Merísio, em 2018, a onda Bolsonaro definiu a eleição sem sequer os catarinenses conhecerem Carlos Moisés da Silva, mas em 2022 ele acredita que o cenário será diferente. “Em 2018 não houve debate, até o segundo turno Moisés não existia politicamente, mas não se discutiu a infraestrutura do estado, o que o candidato pensava, qual o seu preparo para exercer uma função tão importante que é governar Santa Catarina e o resultado está aí, os números mostram, mas em 2022 o eleitor vai poder medir o que foi o Governo e o que seria um governo diferente e o que ele quer para os próximos quatro anos”, avalia.

O tucano diz que nesses três anos que seguiram a eleição procurou falar muito pouco do Governo de Carlos Moisés da Silva, mas cita que em sua opinião houve despreparo e incompetência na liderança. “Santa Catarina não estar em primeiro em todos os indicadores é no mínimo uma perda de oportunidade. Os resultados são incompatíveis com Santa Catarina que sempre foi vanguardista, mas hoje estamos vivendo de honra ao mérito, o que se construiu no passado eles desfrutam hoje. Infelizmente projetos não existem. O governo teve toda a condição para aprender, para liderar, para construir alternativas e não fez por falta de conhecimento e espero que possamos reiniciar esse processo”.

Ele diz que a receita do Estado é de mais de R$ 3 bilhões e nunca Santa Catarina teve uma situação fiscal tão favorável, no entanto, a distribuição não é feita de forma adequada. “Não tem projeto e está se fazendo política de balcão. O prefeito que tem o projeto feito vai lá e sai com o dinheiro que precisar. Não é ruim ter uma obra num município, mas ela precisa fazer parte de um projeto organizado que seja multiplicador de desenvolvimento e crescimento como faz o Paraná e o Rio Grande do Sul. O prejuízo por essa falta de organização vamos medir daqui a 10 anos quando olharmos os indicadores”, destaca.

Merísio finaliza dizendo que a infraestrutura seria sua prioridade e citou ainda problemas da segurança pública como a falta de vagas e busca por aumento de efetivos, além de melhorias necessárias na saúde que receberiam sua atenção. “Santa Catarina precisa ter um projeto mais sólido do que esse que se consumou em 2018. Temos que retomar a seriedade no que diz respeito a construção dos caminhos e espero poder contribuir com essa participação, seja como candidato ou como construtor de uma outra candidatura competitiva e viável para o Estado”, finaliza.