Alto Vale
Foto: Divulgação

Já niciou na região a semeadura da cebola por meio de plantio direto e mecanizado, método que é utilizado pelos produtores em cerca de 15% das áreas cultivadas da hortaliça em Ituporanga e municípios próximos. Através da semeadura direta, agricultores conseguem um bom produto e redução de custos com mão de obra na implantação das lavouras.

De acordo com o técnico agrícola, Ricardo de Moraes, a fase da semeadura determina o tipo de variedade, já que cada agricultor cultiva a variedade que escolhe ou prefere. “A fase da semeadura vai determinar o tipo de variedade que ele estará plantando. Cada tipo de ciclo determinara um período em dias, o que determina bastante na fase da semeadura”, ressalta o técnico.

Ricardo explicou ainda apesar do método ter decaído um pouco, ainda existem muitos agricultores que simpatizam com essa forma de produzir a hortaliça. “O plantio direto da cebola na região era maior e diminuiu. Hoje representa no máximo uns 15% da região total plantada. Ou seja, a grande maioria dos agricultores, optam ainda no sistema convencional que é feito o canteiro semeando a semente e quando as mudas tiverem porte são transplantadas para a roça”, explica.

Ao falar do principal e mais importante fator em todas as lavouras, o clima, o técnico agrícola disse que este ano as temperaturas e condições climáticas estão ajudando muito aos produtores e a expectativa de safra é positiva. “O clima está bem favorável para o preparo da terra, os produtores estão conseguindo fazer a atividade dentro do tempo esperado, como por exemplo, gradear, arear e deixa a terra como um verdadeiro tapete para entrar com a plantadeira. Não tem como dar certeza da produtividade da safra, tudo é totalmente relativo ao clima, mas as expectativas são as mais positivas que existem”, completou.

Em relação a importância do método diferenciado e até muitas vezes considerado por alguns produtores como menos produtivo, o técnico ressalta que tudo é uma questão de ponto de vista e conhecimento para atingir um bom resultado. “Eu vejo que é um método muito importante pois o sistema não precisa de mão de obra, ele é todo mecanizado. A única coisa é a produtividade que acaba sendo menor que o método convencional”, pontua.

Ricardo comentou ainda que qualquer agricultor que conheça a cultura pode fazer, já que hoje no Alto Vale, muitas empresas prestam assistência técnica nas lavouras. “Qualquer pessoa pode fazer, desde que o solo esteja bem preparado. A semeadeira atualmente, tem custo alto e os agricultores acabam fazendo o uso delas terceirizando o serviço”, explica

Arquivo pessoal Ricardo de Moraes

 

Plantio convencional X plantio mecanizado

Questionado sobre os resultados de cada sistema o técnico pontua algumas diferenças que percebe atuando na área há pelo menos cinco anos. “Na verdade o que influencia o sistema convencional é que a cebola fica mais parelha e tem uma maior média de produtividade por hectare. Já no plantio direto a cebola fica por muito mais tempo sendo tratada. O custo de produto e adubação reduz, o que no plantio direto já muda completamente essa questão, onde o tratamento será por muito mais tempo até chegar no porte ideal e fase de arranque”, explica.
O agricultor e produtor de cebola, Renato Schmidt, disse que há cinco anos já trabalha com o método direto e mecanizado e o plantio feito em 13 hectares, para ele, gera resultados recompensadores. “Eu escolhi esse sistema porque reduz muito a mão de obra e agilidade no plantio. A área que eu planto levaria semanas no método convencional e nesse método é questão de dias. Além disso eu vejo que em termos de qualidade, coloração e resultado o sistema de plantio direto se mostra mais viável”, opinou.

Dificuldades

Como toda atividade agrícola necessita de cuidados especiais e muita atenção Ricardo ressalta que é natural que um sistema direto, apesar de todo mecanizado como este, poderá dar mais trabalho. “Uma cebola com cuidado bem mais especial, ela estará mais isolada na roça, serão sementes em um espaço total da área onde requer mais cuidados, com insetos e outros animais, e o cuidado é bem mais complicado. Talvez onde o produtor acaba por não fazer, pois aumenta os custos e no final se não tiver um preparo do solo pode não ter um resultado que o agricultor espera ou idealiza”, confirma.

Tatiana Hoeltgebaum