Alto Vale
Foto: Rafela Correa

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) retomou os atendimentos presenciais de forma gradual nesta semana, mas no Alto Vale apenas a unidade de Rio do Sul foi reaberta até o momento para atendimentos por agendamento. No entanto, as perícias ainda não estão sendo realizadas, o que acaba impactando na liberação dos benefícios.
De acordo com o gerente local, Henrique Imme, a retomada das perícias está prevista para a próxima semana, mas ainda não há uma data definitiva. “A data para perícia ainda não temos. A gente imagina que até semana que vem fique tudo regularizado, mas é só uma previsão, não é oficial. Como a Perícia Médica Federal é uma subsecretaria da Economia, não são servidores do INSS, então eles vão fazer uma avaliação primeiramente dentro das agências, para verificar se está tudo de acordo com a normatização para posteriormente começar os trabalhos”, explica.
Questionado sobre atendimentos de perícia represados por conta da pandemia, o gerente afirma que não há fila de espera, já que os serviços continuaram sendo prestados através do aplicativo. “O atendimento pericial presencial não foi feito, no entanto nós fizemos antecipações dos benefícios com apresentação do atestado médico pelo meu INSS. A pessoa tirava foto do atestado e desde que estivesse dentro de algumas regras, como nome completo, CPF, código da doença e o nome do médico legível a gente já fazia a antecipação. No início 30 dias e posteriormente, 60 dias de antecipação, quando precisava mais era necessário fazer a prorrogação ou fazer um novo pedido de auxílio doença”, afirma. Ele conta ainda que até o momento, a agência de Rio do Sul está aberta somente pela manhã. “Começamos com alguns serviços agendáveis, que é o cumprimento de exigência, as justificações administrativas e judiciais e alguns serviços da área social, como reabilitação profissional, avaliação social da aposentadoria para pessoas com deficiência. No entanto, todos esses serviços estão no período da manhã isso já vem antes da pandemia, à tarde somente as perícias médicas e como esse serviço não retornou, a agência fica fechada neste período”, justifica.
Ao contrário do que afirma o INSS, de que não há demanda represada, muitos moradores do Alto Vale relatam dificuldades de receber os benefícios por falta de perícia. Uma delas é Elaine Ramos dos Santos, de 38 anos, que trabalha como diarista. Ela conta que por conta de um problema no braço solicitou o benefício, mas recebeu apenas dois meses. Como não conseguiu agendar pelo telefone decidiu ir até a agência e mais uma vez não conseguiu ser atendida. “Eu estou com um requerimento de análise, fiquei dois meses encostada, aí entrei com um novo requerimento e estou esperando desde antes da pandemia e até agora nada. Não recebi nem carta, nem resposta. Tentei várias vezes contato pelo número que eles indicam o 135, mas fica na fila de espera e ninguém atende”, disse.
Sem o benefício, mesmo sem condições físicas, Elaine precisou trabalhar para garantir o sustento da família. “Pago o INSS como autônoma, trabalho de diarista porque tenho um filho especial e não posso trabalhar por mês porque preciso cuidar dele. Cheguei a fazer perícia e recebi dois meses, aí voltei no médico e ele pediu para eu retornar, marcar de novo e estou aguardando até agora”, ressalta.
Em entrevista ao DAV, ela diz que acredita que a volta dos atendimentos presenciais não deve facilitar a liberação dos benefícios. “Acho que o atendimento presencial não vai facilitar não, porque tem pessoas que já estavam esperando um retorno há muito tempo. Eu já estou há quase 10 meses, tenho problema físico, problema no meu braço, para mim esse valor ajudaria muito, porque são todos esses meses parados e se recebesse seria bom. Continuo trabalhando mesmo com problema, porque não tenho uma resposta ainda. Bem complicada a situação”, completa.
Neuza Diel é moradora de Ituporanga e aguarda por perícia presencial desde fevereiro, em razão de um câncer. “Eles haviam marcado a perícia para maio, mas desmarcaram e até agora nada. É um dinheiro que teria ajudado muito, principalmente nesse período de pandemia, que tive que ficar parada. Tenho salão de beleza, mas a quimioterapia me deixou fraca e com o vírus, tive que fechar o salão porque não dava para arriscar, a imunidade fica muito baixa. Eu preciso da perícia, principalmente agora que vou passar por cirurgia. Espero que logo volte” , finaliza.