Alto Vale
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Rafaela Correa/DAV

O médico Rafael Carlos da Silva de 40 anos é natural de Ituporanga e mudou para os Estados Unidos recentemente, em razão do trabalho. Por lá, ele já teve oportunidade de tomar a vacina contra covid-19 e diz que a sensação é de alívio. Ele fala ainda sobre a importância da imunização e deixa mensagem de incentivo aos amigos catarinenses, especialmente do Alto Vale. A segunda dose da imunização será tomada por ele na próxima quarta-feira(13).

Rafael é formado pela Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC) e teve a oportunidade trabalhar em Rio do Sul e até fazer residência em São Paulo antes de mudar de país. Atualmente ele mora no estado da Geórgia e trabalha em uma cidade chamada Athens. Ele trabalha no hospital Piedmont Athens Regional Medical Center e por lá, os profissionais de saúde já receberam a primeira dose da vacina contra covid-19. A vacina usada por lá foi a Pfizer- BioNtech.

Ele conta que cada estado tem suas diretrizes, mas que o Plano de Contingência aplicado na Geórgia define profissionais de saúde e idosos que vivem em instituições de longa permanência como grupos prioritários, bem como os adultos com doenças crônicas e só depois os adultos jovens saudáveis. “Eu tomei a primeira dose em dezembro e a segunda dose está marcada para dia 13 de janeiro. Existe uma diferença de três semanas entre a aplicação da primeira e da segunda”, conta.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Diário do Alto Vale, ele diz ainda que a sensação é de alívio e que a alegria só não está completa porque a esposa não teve direito à dose, já que não faz parte do grupo prioritário do Plano de Contingência e o filho também não, por ter menos de 16 anos. “A sensação é de alívio, já que a eficácia da vacina, segundo os estudos é de cerca de 95% e no máximo, se acontecer de pegar, a doença deve se manifestar na sua forma mais leve”, explica.

De acordo com Rafael, a vacina é fundamental para manutenção de saúde de um grupo maior e não somente para a pessoa imunizada. “Às vezes colocam muitas vírgulas e questionamentos em relação à vacina sem levar em conta que a gente, no nosso dia a dia usa muitos remédios, que tem mais riscos de causar problemas para a saúde do que a vacina. Existe um não entendimento da importância e uma concepção errada do que é a vacina e de como ela funciona. Espero que no Brasil a vacinação comece logo, pelo que tenho acompanhado é a Coronavac. Ela tem eficácia menor que a da Pfizer, mas ainda assim uma eficácia bem razoável, considerando que nós temos vários tratamentos que não chegam a esse tipo de eficácia para outras doenças e mesmo assim a gente usa. Tenho amigos aí, familiares e a gente quer que isso acabe”, completa. Ainda de acordo Rafael, a ideia é que com a vacinação se crie o que é chamado de imunidade rebanho, para que o vírus não consiga se propagar de uma pessoa para a outra.

Questionado sobre as dificuldades enfrentadas por ser profissional da saúde, durante a pandemia e em outro país, ele diz que precisou mudar sua rotina. “As coisas precisam ser feitas mais devagar, porque precisamos usar o equipamento de proteção o tempo inteiro, a máscara incomoda, a gente que usa óculos precisa colocar ainda um óculos de proteção por cima. A vigilância é maior com a questão de higiene e especialmente aqui, estamos notando que no hospital, 50% dos leitos são ocupados por pacientes com covid. É uma situação bem difícil. A pandemia ainda está fora de controle e a gente espera que a vacina possa trazer um alívio”, finaliza.

Vacinação em Santa Catarina

De acordo com o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, em entrevista na última sexta-feira(8), Santa Catarina está pronta para iniciar a vacinação contra a Covid-19 assim que receber as primeiras doses do Ministério da Saúde. Segundo ele, toda a parte logística já está preparada para fazer a distribuição aos municípios, que serão os responsáveis pela aplicação das doses na população. Se o calendário das vacinas proposto pelo Ministério for cumprido, o início da imunização em Santa Catarina deve ocorrer entre o fim de janeiro e o começo de fevereiro.

O Plano Estadual de Vacinação prevê a imunização, em um primeiro momento, de quatro grupos prioritários. Na primeira fase, serão vacinados profissionais da saúde, idosos acima de 75 anos, pessoas de 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência e a população indígena. A segunda fase vacinará aqueles com idade entre 60 e 74 anos. Na terceira fase, a imunização ocorrerá no grupo que apresenta alguma comorbidades e na quarta fase, serão professores, profissionais da segurança pública, do sistema prisional e de salvamento. O restante da população será vacinada após os grupos prioritários.