Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

A maioria dos gases de efeito estufa são produzidos a partir de atividades humanas que vão parar na atmosfera e acabam contribuindo para o aquecimento do planeta. Entre eles o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). Com intuito de avaliar a quantidade de emissão desses gases, a organização Observatório do Clima divulgou os dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) que mostra José Boiteux como o município de Santa Catarina que mais removeu gases do efeito estufa da atmosfera. No Alto Vale, Presidente Nereu e Vitor Meireles também estão no ranking das cidades catarinenses melhores classificadas.

Os dados são referentes a um estudo inédito considerando as emissões das cidades brasileiras entre 2000 e 2018. Foram avaliados valores de emissão bruta no país relacionados aos setores de Agropecuária, Mudança do uso da Terra e Floresta, Energia e Resíduos.

De acordo com os dados publicados no site da Epagri Ciram, o pesquisador Denilson Dortzbach, explica que José Boiteux apresentou estimativa de remoção de CO2 (-2.653) em razão da manutenção de floresta secundária e de áreas protegidas, que é uma das únicas formas de fazer o ‘sequestro dos gases’. “José Boiteux tem um número bom pela questão florestal, a população é pequena, tem poucos automóveis, poucos animais também e ao fazer o balanço de emissão e remoção o número ficou negativo, ou seja, o município sequestra mais CO2 do que a quantidade que emite. Foram só dois municípios no estado que tiveram negativo. Quando a gente coloca o balanço de uma população maior, que tenha um pouco de florestas e animais, o resultado ainda é bom, porém emitem mais do que sequestram e é normal, esses também precisam ser valorizados e parabenizados porque emitem bem menos se comparado com os outros. Na região é o caso de Vitor Meireles e Presidente Nereu”, esclarece.

Para o prefeito de José Boiteux, Adair Antônio Stollmeier, o resultado é fruto de um conjunto de fatores e destaca o respeito das empresas com o meio ambiente e técnicas utilizadas pelos agricultores para reduzir o impacto na atmosfera. “As indústrias estão organizadas dentro das especificações técnicas para serem menos poluidoras. Elas investem muito para diminuir a poluição, porque algumas exportam e essa é uma exigência do pessoal que compra o material também. Na agricultura também temos o pessoal que faz adubação verde, que acaba ajudando e eles têm as áreas de reflorestamento sempre em dia. Do Centro já é possível ver essas áreas verdes, imagine indo para o interior. Muitos anos atrás, na época que não havia empresas produtoras de mudas, eu lembro que a prefeitura tinha um viveiro para produzir mudas para a população e isso ajudou muito para termos floresta hoje. Temos também a reserva indígena, outra área com bastante mata e não só na reserva, mas temos muitas áreas de florestas nativas que ajudam na preservação da água”, avalia.

Para o prefeito de Presidente Nereu, Celso Vieira, que teve emissão equivalente a 12.117, o índice é reflexo da área territorial. “O município possui uma cobertura florestal extensa. O território têm 22 mil hectares e apenas quatro de fumo e grãos e mil hectares de exploração agrícola para pastagem. O fato da cidade não ter indústrias também pode contribuir para esse resultado”, opina.

Embora esses municípios tenham tido um bom desempenho, nem todos são assim. Cidades maiores, com maior número de habitantes costumam ter número mais elevados. É o caso de Capivari de Baixo, que apresentou a maior estimativa de emissão de Santa Catarina. “O município que mais emitiu foi Capivari de Baixo porque lá eles têm a termelétrica e queimam o carvão, por isso a emissão de CO2 é muito grande. Da mesma forma, os municípios maiores também tiveram resultados maiores porque são mais habitantes, mais carros, mais energia elétrica, então os dados são resultado desses fatores”, finaliza o pesquisador Denilson Dortzbach.