Alto Vale

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

O caso de um jovem ganhou repercussão nas redes sociais e mobilizou centenas de internautas da região. Ele denunciou o preconceito que teria sofrido em uma entrevista de emprego por ter cabelo comprido e tatuagem. Segundo o ibiramense, a dona do estabelecimento afirmou que ele não servia para o trabalho porque ela precisava de colaboradores que fossem “respeitados” pelos clientes.

Marcel Arns, conta que foi chamado para a entrevista após indicação de um amigo e chegando ao local a reação negativa da mulher em reação a sua aparência foi praticamente instantânea. “Ela já falou na hora que eu sentei: você tem cabelo comprido né? Isso já vai ser um problema”, lembra.

Ele diz que na hora ficou confuso com a situação e a mulher declarou que não contrata funcionários com cabelo comprido e tatuagem porque a pessoa que está na recepção precisa ser respeitada. “Falei que concordava, mas que o respeito a pessoa busca com as atitudes e pela forma que faço meu trabalho e não pela minha aparência. Ainda disse que poderia fazer um coque no cabelo, com gel e tudo arrumadinho, mas ela disse que não ia dar certo que falaram bem de mim pra ela, mas que se ela soubesse que eu era assim nem pedia para eu vir”, relata.

Marcel diz que ainda tentou argumentar e propôs um teste no estabelecimento para que a mulher avaliasse como ele se sairia no trabalho. “Mas ela disse nem vou perder meu tempo porque sei que não vai dar certo. É uma escolha minha, sou assim e tenho esse direito porque a empresa é minha e não gosto de gente com tatuagem e cabelo comprido”, disse.

Depois da entrevista o jovem postou um desabafo nas redes sociais e recebeu o apoio de centenas de pessoas. Após a publicação ele também afirma que recebeu diversos relatos de preconceito contra outras pessoas que fizeram entrevista no emprego no estabelecimento. “Muita gente veio me falar que aconteceu a mesma coisa, que ela destratou pela cor, por ser nova demais e recebi os relatos dos próprios funcionários que já trabalharam no local”, conta.

Marcel declara que a intenção de divulgar o caso serve para conscientizar as pessoas em relação ao preconceito e também que sirva de exemplo para evitar que trabalhadores passem por situações parecidas. “Que foquem mais no lado profissional do que na aparência”, conclui.

O estabelecimento foi procurado pela reportagem, mas preferiu não se manifestar sobre o caso.