Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Que a mulher já conquistou muitos lugares que antes eram ocupados somente por homens todos sabem, mas ainda há áreas de trabalho em que encontrar mulheres é menos comum. Em Ituporanga, a moradora Tais Helena Miranda de 29 anos resolveu mostrar a força feminina e ir além para realizar o seu sonho de ser motorista de caminhão.

Tais sonha em dirigir veículos pesados desde criança. Ela conta que sempre teve uma presença muito forte da profissão, já que seu pai, avô e tios trabalharam com isso a vida inteira. Mas a história dela, assim como de várias mulheres, é de muito trabalho e dedicação. Antes de ser motorista Tais trabalhava como costureira para sustentar o filho e precisou adiar o sonho para vê-lo crescer e dar todo o suporte necessário. “Decidi entrar no ramo no momento em que alterei a minha carteira de habilitação, mas como eu engravidei e tive filho, tive que adiar o meu sonho por causa dele, mas quando ele ficou maior, que já conseguia entender, eu comecei a trabalhar com caminhão. Vai fazer um ano que estou nessa profissão. Antes de trabalhar com caminhão eu fui costureira, acelerava a máquina de costura mesmo, para poder criar meu filho e depois seguir a profissão da família”, comenta.

Dar um passo a frente e decidir começar a realizar um sonho como este não foi tão fácil. A jovem conta que por ser um cargo comumente ocupado por homens encontrou resistência por parte de algumas empresas, mas que hoje faz o transporte de containers em toda a região sul do país, principalmente nas regiões de porto.

“Para mulher é um pouco mais complicado porque ainda há uma resistência de algumas empresas para aceitarem. A empresa Hammes me deu a oportunidade e preciso agradecer muito por isso, mas na estrada a gente sofre preconceito porque é raro ver uma mulher dirigindo caminhão, principalmente aqui no Sul, em São Paulo, outras regiões é mais comum. Quando alguém me vê até se assustam, questionam”, destaca.

Largar a máquina de costura e assumir um volante não é uma tarefa simples que se aprende da noite para o dia. Ela afirma que houve todo um processo de adaptação e que a prática diária a ensinou muito. “Trabalho com uma carreta três eixos, o modelo do caminhão é uma Scania 360, cavalo toco e a adaptação foi bem tranquila. Eu até tive algumas dificuldades no início, era difícil estacionar por conta do tamanho, mas depois fui pegando o jeito. É uma profissão humilhada por muita gente, pessoas que não dão valor, mas a minha vida é em função do caminhão. Eu amo essa profissão e não há nada melhor do que trabalhar com o que a gente gosta”, ressalta.

Como em todos os trabalhos, ser motorista não é fácil e Tais conta que já enfrentou várias dificuldades na estrada, mas que mesmo assim ama o que faz. “A gente sempre tem as dificuldades da estrada, do dia a dia, pega estrada ruim, pega muito movimento, presencia acidentes, dorme em pátio de postos, pega banheiros em estado precário para tomar banho, precisa comer em restaurante ou preparar as refeições no caminhão, mas amo o que faço”.

Questionada sobre o que diz a família, ela afirma que foi uma aceitação muito fácil, pois estavam todos acostumados com a rotina da profissão e que sentem orgulho. “A minha família aceita tranquilo porque eu já venho de uma família de motoristas. Minha mãe sempre se preocupa, mas aceita e diz que precisa apoiar e que tem orgulho por eu quebrar esses paradigmas sobre ser mulher e ingressar nesta profissão”, completa.