Cidade
Foto: arquivo DAV

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

O caso Maristela Stringhini comoveu e ainda comove muita gente. Há aproximadamente oito anos, em 2014, ela ficou presa em um carro, foi arrastada por quase 800 metros pelas ruas de Rio do Sul e ficou entre a vida e a morte passando por 53 cirurgias. Depois disso, dois processos foram iniciados, um na esfera cível e outro na criminal. Na esfera criminal, o réu, Júlio César Leandro, foi a júri popular nesta quinta-feira (5). A sessão durou mais de 15 horas e o júri decidiu que não houve tentativa de homicídio e sim um acidente de trânsito, que pelo tempo decorrido, o juiz declarou prescrito e extinguiu o processo. Na esfera cível, em que são analisadas as questões indenizatórias, o processo ainda não teve desfecho.

O advogado de defesa, Paulo Voltolini, comemora o resultado e afirma que a sociedade fez justiça. “Se fez justiça, são oito anos de sofrimento tanto para o Júlio e a família quanto para Maristela e para a família dela. A sociedade fez justiça ao absolver da tentativa de homicídio, o Júlio nunca quis matar ninguém. Houve um acidente, uma infelicidade, fatalidade, mas um acidente de trânsito com resultados gravíssimos, mas não uma tentativa de homicídio”, declara.

A reportagem também entrou em contato com Maristela Stringhini, mas até o momento da publicação não conseguiu um posicionamento e permanece à disposição para atualização da matéria.

Relembre o caso:

O acidente ocorreu no dia 13 de abril e 2014 e ela tinha pouquíssimas chances de sobreviver, mas resistiu e continua lutando para reconstruir o corpo. Em entrevista com a repórter Helena Marquardt, para o Jornal Diário do Alto Vale, em 7 de março de 2022, ela relatou que ainda sente dores e vem perdendo os movimentos das mãos. “Sinto dores o tempo todo e a cada dia vejo que estou perdendo mais os movimentos das mãos, não consigo girar a maçaneta de uma porta. Meu joelho também está muito complicado, tenho que usar tornozeleira. Tive que passar a usar óculos porque tive lesão no globo ocular em virtude do acidente. Teria que fazer muitos outros procedimentos médicos, mas não tenho vergonha de dizer que não puder fazer porque não tenho condições financeiras”, contou.

“O meu caso foi um dos casos mais raros, porque até hoje não há quem tenha sobrevivido depois de ser arrastada por 800 metros e perder a parte frontal inteira do corpo. No começo a gente não sabia como iria ser, se eu ia conseguir colocar silicone, tirar a pele ou melhorar a questão estética. Primeiro tentaram me salvar, depois começaram a mexer no rosto que quebrou todo e depois os médicos iam se reunindo para estudar o que podia ser feito”, acrescentou.

Com todos os problemas, ela ainda precisa conviver com marcas em seu psicológico, síndrome do pânico e depressão. Além disso, ela enfrenta outros problemas judiciais, uma vez que o médico que realizou parte dos procedimentos cobra pelos seus serviços o valor de R$700 mil.