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Reportagem: Gabriela Szenczuk/DAV

Em meio à pandemia do coronavírus e a confirmação da chegada de casos da doença no Alto Vale, as visitas presenciais nos asilos da região estão suspensas desde o dia 13 de março. Desde então os idosos e familiares têm encontrado formas alternativas de manter contato neste momento de isolamento social.
Na Conferência de São Vicente de Paulo, em Rio do Sul, a terceira idade tem se aproximado do mundo virtual e contatado os familiares e amigos através do celular. Somado a isso, todos os dias ao anoitecer os funcionários enviam via WhatsApp um boletim atualizado para os familiares dos idosos com informações e imagens que contam como foi o dia deles.
Ester Bridi tem 80 anos e reside no lar há cerca de dois. Ela foi para o asilo por livre e espontânea vontade depois que ficou viúva. Embora os filhos sempre tenham sido presentes, ela preferiu se instalar no aconchego do lar que até hoje a faz se sentir em casa. “Eu me sinto bem aqui. Sinto que aqui é a minha casa. Vim porque precisava do meu espaço sem sentir solidão. E que alguém pudesse estar cuidando de mim sem que eu tivesse que preocupar meus filhos.” Neste período de isolamento social, com as visitas suspensas, a idosa mantém contato com a neta semanalmente por ligação de vídeo. “Quando quero falar com alguém, ligo, mando mensagem. Sozinha aqui a gente não fica”, conclui.

A rotina mudou

Neste período de isolamento social, sem as visitas presenciais, a demanda de trabalho das equipes aumentou e a programação dos residentes também mudou. Segundo Lurdes Claudino, administradora do lar, agora, sem as visitas de amigos ou parentes, a rotina dos idosos ficou mais vazia. Com isso, a programação foi reformulada para que nenhum deles se sinta isolado. “A gente fez a programação de todos os dias novamente, pois assim o dia deles fica mais preenchido e eles não têm tempo para pensar muito na falta que o contato físico das visitas está fazendo”, conta a administradora.
Os 62 idosos que hoje vivem no local, no entanto, não recebiam visitas apenas de familiares ou amigos. Diariamente havia grupos de escolas e creches em projetos de visitação que alegravam o dia-a-dia deles. Porém, com a pandemia e aulas canceladas, estes grupos também não têm ido ao lar. “É claro que eles estão sentindo a falta da visita e todo o agito de sempre. Antes vários grupos estavam no asilo diariamente para completar a rotina dos residentes. Agora são só eles e a equipe do asilo”, relata Lurdes.
A rotina por lá já começa cedo com o café da manhã e fisioterapia duas vezes por semana. Em outros dias a manhã fica a critério de cada residente. As opções vão desde jogos de bingo e baralho até o passeio no pátio para aproveitar o sol. As missas e novenas continuam e a terceira idade também conta com a oportunidade de acompanhamento com uma profissional de psicologia para manter a saúde mental, além de aulas de dança, canto e música.
Desde 18 de março, data em que as novas medidas começaram a ser tomadas, permanecem no asilo – além dos idosos – os cuidadores, enfermeiros, profissionais de cozinha e limpeza e, ainda assim, todos em número reduzido, já que alguns deles estavam dentro do grupo de risco e estão em casa. Outra medida que a administração do asilo tomou foi a reorganização dos quartos. “Não há um quarto para cada um, mas a gente tentou separar e deixar o mínimo de pessoas dividindo um cômodo só.”
Ainda segundo Lurdes outra preocupação dos funcionários é a época de pandemia somada ao frio que já está presente. É nesta época que os profissionais de saúde da instituição mais se preocupam com os residentes – uma vez que é o período com mais registros de internações hospitalares por gripes, resfriados ou problemas respiratórios.