Estado
Foto: Ascom

Na última semana de trabalho antes do recesso parlamentar, mais um projeto de lei do deputado federal Rogério Peninha Mendonça (PMDB) foi aprovado. O PL 8110/14 prevê a instalação de um dispositivo de proteção na rede de energia elétrica em locais de baixa tensão, como salas comerciais e residências. A alteração proposta pelo parlamentar visa reduzir o número de mortes em decorrência de choques.

O projeto prevê a obrigatoriedade de disjuntores Diferencial Residencial (DR) apenas em construções novas. “É um dispositivo muito simples e também barato, custa menos de 50 reais. O efeito, no entanto, é inestimável, pois esse sistema atua de forma muito rápida, e desliga a rede energizada assim que o choque acontece. Vai evitar muitas tragédias”, justifica Peninha.

Segundo a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), só em 2015 foram 590 acidentes e 162 mortes envolvendo choques. O que chama a atenção é que a maioria dos casos acontece dentro de casa. Apesar de a instalação dos disjuntores DR já ser prevista pela Agência Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) desde 2004, ainda não é aplicada na prática. O projeto do deputado Peninha, aprovado em última instância na Câmara, segue para apreciação no Senado Federal.

Iniciativa

O projeto de lei surgiu depois que três irmãos morreram eletrocutados enquanto brincavam no pátio de casa no município de Petrolândia, interior de Santa Catarina.

As crianças Igor Medeiros (4 anos), Vinícius (6 anos) e Schaiani (14 anos), encostaram em uma cerca eletrificada por um fio desencapado.
Esse fio corria paralelo aos arames da cerca, separado por uma ripa de madeira, e fornecia energia para a bomba de um poço artesiano. A divisória cedeu e um ponto desencapado encostou no metal.

Na época os bombeiros divulgaram a suspeita que Igor teria ido buscar uma bola perto da cerca, e encostado no fio. O irmão Vinícius, teria tentado socorrê-lo, mas também foi eletrocutado e o mesmo teria acontecido com a irmã, Schaiani.

A tragédia ocorreu em novembro de 2014 e comoveu o país. “Três crianças da mesma família, uma fatalidade que poderia ter sido evitada se o projeto estivesse em vigor. Diferente de outros setores, 100% das mortes em decorrência de choques elétricos podem ser prevenidas, por isso precisamos trabalhar na conscientização para salvar vidas”, enfatiza o parlamentar.