Política
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Rafaela Correa/DAV

A perda dos cabelos durante o tratamento do câncer é muito comum e afeta pessoas todos os dias. Além do peso da doença, perder todos os fios pode deixar o paciente, sobretudo as mulheres, com baixa autoestima e é por isso que foi sancionada pela governadora Daniela Reinehr uma lei que institui uma campanha para estimular a doação de cabelos para confecção de perucas às pessoas que passam pela quimioterapia.

O projeto é de autoria do deputado licenciado Fernando Vampiro (MDB), atual secretário de Educação do Estado. De acordo com informações da Radio AL, a lei visa incentivar a doação de cabelos na semana do Dia Nacional de Combate ao Câncer que acontece em 27 de novembro.

A Ituporanguense, Neuza Diel Correa conta que teve câncer de mama e que a perda dos cabelos foi muito impactante. Ela destaca a importância do trabalho voluntário que por muitas vezes coloca sorrisos nos rostos das pessoas e serve como esperança para quem precisa. “Eu tive câncer de mama e hoje estou curada, mas usei peruca emprestada por um bom tempo e foi aí que eu percebi a necessidade de doações de cabelo. Tenho salão de beleza e muitas mulheres pedem para separar para doação e levam para as associações da região, eu também incentivo e informo os locais de recebimento e até levo para a associação aqui na cidade quando alguém pede. Além disso, não são apenas as doações de cabelo que importam, é todo um trabalho dos voluntários que se dedicam na confecção das perucas, da limpeza que também geram gastos. Saber que existe uma lei para incentivar isso é gratificante, pois se para mim foi importante, para outras que estão na mesma também será”, avalia.

Em Ituporanga, a Associação Beneficente de Apoio aos Portadores de Câncer oferece há 12 anos diversos serviços e ajuda para os pacientes e é um dos pontos de recebimento. Por lá há muita procura pelo acessório que é disponibilizado de forma gratuita. Funciona assim: A associação empresta as perucas para as mulheres que procuram, elas usam enquanto precisam, depois fazem a devolução para que outras também possam usar. Todas elas são feitas com cabelo de doação, um gesto generoso de mulheres que se solidarizam com a dor das outras.

Para Maria Machado, coordenadora do banco de perucas da Associação de Amor e União contra o Câncer (Amucc), a lei é uma forma de ajudar as mulheres com baixa autoestima. “O que eu mais gostei da lei é que ela também fala sobre a fabricação de perucas e eu queria ver porque o processo todo é voluntário, mas ainda assim tem um custo alto. No mínimo ela precisa de higienização, precisa confeccionar a peruca, tem a touca, tem os profissionais que fazem a peruca e tudo tem um custo de cerca de R$600”, finaliza.