Alto Vale
Foto: arquivo pessoal

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Maria Salete é uma menina de 11 anos e reside com a mãe, no município de Aurora, no Alto Vale. Há pelo menos sete anos ela luta pela vida através de cirurgias, entre elas dois transplantes de rim, que não deram certo. Agora ela aguarda o terceiro, mas para isso precisa de um remédio chamado Imunoglobulina Humana, caso não faça uso, o corpo dela vai rejeitar o órgão assim que for colocado. No entanto, o custo é extremamente alto e com um processo lento em andamento, os pais decidiram iniciar uma campanha nas redes sociais, que já foi encerrada, em razão de uma liminar judicial que concede gratuitamente o medicamento.

A mãe de Maria Salete, Cristina Serafim Dumes, conta que a história da filha é repleta de luta e muita fé. Quando bebê, ela era saudável e assim permaneceu até quase cinco anos de idade, mas aí os problemas começaram a aparecer, de uma hora para outra. “Foi em julho de 2014, alguns meses antes de completar cinco anos, que a vida da nossa pequena mudou drasticamente. A dela e a de toda a família. Maria foi para a UTI com falência total dos dois rins.
Até hoje, não se tem um diagnóstico exato da causa, mas os médicos acreditam em um refluxo urinário que atrofiou os rins até eles perderem total função”, comenta.

Desde então, a pequena busca uma vida melhor, com menos dor e vários procedimentos foram realizados na tentativa de amenizar a dor. “Faz sete anos que nossa princesa batalha por uma vida menos dolorosa. Nesse tempo, ela já fez dezenas de cirurgias, entre elas, dois transplantes. Mas, por conta de um problema específico do organismo dela, os procedimentos não deram certo. Os médicos fizeram um estudo desse problema e, graças a Deus, descobriram a causa e solucionaram o caso”, conta.

Há três anos ela está na fila de espera para conseguir o terceiro transplante e atualmente ela faz diálise peritoneal 12 horas por dia, em casa. Mas para que seu corpo aceite o terceiro transplante e não rejeite o novo órgão, ela precisa de um medicamento com custo bastante alto, a Imunoglobina Humana. “Se ela não usá-lo antes da cirurgia, o corpo dela vai rejeitar o órgão assim que for colocado. Por ser um remédio de alto custo iniciamos uma batalha na justiça para que a Maria tenha acesso a ele. Mas, enquanto o processo caminhava a passos lentos,começamos uma campanha. Afinal, nosso tempo é precioso e curto, mas felizmente, com a força da campanha conseguimos uma liminar judicial para ter acesso ao remédio”, destaca.

Com a resposta positiva da justiça, Cristina utilizou as redes sociais usadas na campanha para anunciar a conquista e o término da campanha. Ela ainda agradeceu a cada uma das pessoas que fizeram doações e compartilharam a história de Maria Salete. “Eu serei grata, para sempre, por toda a ajuda que cada pessoa nos deu. Seja conhecida ou anônima. Muito obrigada, de coração”, disse.

Justiça fornece liminar em favor da Maria

“Como desde o início deixei claro, assim que saísse uma reposta positiva iríamos encerrar as campanhas. Tenho plena certeza que isso é resultado da mobilização social dos últimos dias, e de todas as orações e energia positiva”, enfatiza. Agora o Estado tem cerca de 15 dias para entregar a medicação.

Rotina de Maria Salete

Apesar de ter conseguido a liminar, a mãe ainda conta que a filha vive com muitos problemas além do comprometimento das funções renais. “Infelizmente, por não ter os rins funcionando, apareceram doenças secundárias, como gastrite, anemia crônica, paratireóides, problemas nas juntas e ossos, o que dificulta a Maria de se locomover. As dores são diárias, a dieta é restrita e nossa menina não pode tomar mais de 400 ml de líquidos por dia”, explica.

Mesmo com todo o sofrimento, Cristina conta que a filha segue otimista porque tem esperança de conseguir ter um rim saudável e passar a viver bem. “Maria, em onze anos, já passou por tanta coisa e, mesmo assim, segue otimista e se mantém risonha o máximo que pode, ela tem muita esperança no futuro. Maria tem certeza de que vai conseguir um rim saudável e viver bem. A alegria dela é saber que vai poder tomar água à vontade e comer muito queijo que é uma das coisas que ela mais gosta, mas a dieta não permite”, completa.