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Foto: Divulgação

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Alvo de muita polêmica em todas as cidades da região, a volta às aulas continua sendo um assunto sério e que merece ser debatido e avaliado. Em Rio do Sul, uma live marcada para a noite de hoje (8), às 20 horas, vai discutir o tema. Entre as participantes estão a secretária de Educação do município, Janara Mafra, a desembargadora do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), Cinthia Beatriz da Silva Bittencourt, a médica pediatra, Marlou Dalri, e a psiquiatra Mariana Celli. A live “Saúde, sociedade e o Retorno Escolar- Vamos falar sobre isso?” será transmitida pelo canal do You tube da Associação Empresarial de Rio do Sul (Acirs) e tem o apoio de mães que querem a escola aberta para que possam escolher mandar ou não os filhos para a aula presencial. O objetivo seria mostrar para a sociedade através de um debate técnico, os efeitos negativos que o isolamento social pode provocar no desenvolvimento de crianças e adolescentes ao longo dos anos e discutir medidas que poderiam amenizar tais efeitos.

Para a mãe Ana Lucia Giordani Volpato Girardi, discutir o assunto e cobrar o direito de ter a opção de mandar ou não o filho para a escola é algo essencial. Nesse sentido, ela diz que várias mães apoiam a live e querem a garantia do ano letivo em 2021. “A nossa intenção com o movimento é que a escola esteja aberta e que mande o filho para a escola aquele que quiser mandar, aquele que precisar dentro da situação de cada família, situação financeira, situação de trabalho, de saúde, grupo de risco ou não. Nós queremos ter a opção de escolha de mandar o filho para a escola”, explica.

A ideia da live partiu da médica psiquiatra Mariana Celli, das vivências de consultório e conversas. Segundo Ana, ela coordenou e conversou com as pessoas para participarem. “Nós estamos ajudando e apoiando porque é um assunto interessante que vem de encontro ao que estamos dizendo. As crianças estão sendo muito afetadas fora da escola e não é só a educação que está faltando, é convívio social também”, argumenta.

Além disso, segundo ela, as crianças estariam desenvolvendo problemas de saúde mental por estarem o ano inteiro fora da escola. “A nossa preocupação é que a escola não é apenas um lugar de instrução, ela é um local de convívio social. Os adultos têm uma série de outros meios de conviver socialmente mesmo no isolamento e as crianças não, elas foram afastadas do grupo social delas”, destaca.

Outra situação que será discutida em relação ao isolamento é a violência, abandono e negligência. Ana Lucia diz que as crianças estão mais expostas aos fatores e que isso nem sempre é culpa dos pais, pois eles precisam estar envolvidos com o trabalho e garantir o sustento da família. “As famílias precisam continuar se sustentando, as famílias precisam continuar vivendo e a falta da escola altera de uma maneira muito importante a rotina das famílias. A nossa intenção era obviamente que a escola tivesse voltado esse ano, não foi possível, mas queremos garantir que 2021 tenha ano letivo, porque aí a gente volta a falar do prejuízo educacional, mais um ano em casa vai ser em casa, difícil para a criança aprender, o olhar do professor é importante nessa hora e de forma on-line eles não conseguem, apesar de estarem se dedicando muito”, afirma.

A mãe diz também que os protocolos sanitários para a volta são aprovados pelo Comitê Municipal de Educação com base nos documentos estaduais.” A gente não quer instituir nenhum protocolo de retorno, vamos seguir as normas colocadas pelo Estado. O que nós queremos é que a escola esteja aberta. Que cada pai decida se vai mandar ou não seu filho de acordo com a realidade da sua família. Queremos o direito de decidir se o nosso filho vai ou não para a escola”, completa.