Alto Vale
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Rafaela Correa/DAV

A atividade física é uma das coisas mais importantes para a saúde e bem estar físico e mental das pessoas. Associada com uma boa alimentação é possível se manter saudável e forte por muito mais tempo, mas durante a pandemia, apesar de muito importante, talvez tenha ficado em segundo plano na vida de alguns e apesar de todas as dificuldades, profissionais da educação física se esforçaram para manter os cuidados com o corpo e a mente.

Marilandia Nascimento trabalha como orientadora física há vários anos, tanto com grupos particulares quanto grupos formados por iniciativa pública e segundo ela é a primeira vez que se depara com uma situação tão difícil. “Está sendo bem desafiador, algo totalmente novo porque estava acostumada a dar aulas presenciais, com fala, com gestos, tentando colocar da melhor forma o jeito de fazer o exercício e passar isso para uma tela, para a tecnologia é algo que não estávamos habituados. Não temos tanta facilidade em lidar falando com uma tela, apenas um celular na nossa frente, mas foi o único jeito que encontramos para manter os alunos ativos, realizando os exercícios que a gente passava”, comenta.

Ao todo Marilandia tem quase 100 alunos, a maior parte deles são idosos e fazem parte do grupo de risco. Ela conta que a adaptação não foi tão simples e que é um trabalho difícil de fazer a distância pois exige atenção aos movimentos, que se forem feitos de forma errada também podem causar danos para a saúde.

Enquanto as aulas aconteciam apenas virtualmente, a maior preocupação teria sido com a consciência corporal dos exercícios que cada um tinha, já que algumas pessoas que praticavam as atividades pela internet não faziam parte do grupo de alunos. “Agora já estou com mais aulas presenciais, porque a gente foi se inteirando sobre como lidar com a prevenção da covid, a gente já tem uma confiança maior de como lidar com as aulas de forma segura. Diminuímos o número de alunos, usamos muito álcool em gel, sempre fazemos a higienização dos espaços. Então os alunos se sentem seguros e preferem a aula presencial. Eu também porque é melhor para supervisionar o exercício e impedir lesões, caso façam da forma errada”, afirma. A orientadora física ainda ressalta que a tecnologia permitiu que pessoas de outras cidades e até de outros estados acompanhassem as lives e que isso foi muito importante para a sua carreira.

Apesar do medo de contrair o vírus, ela explica que a atividade física é muito importante e que contribui inclusive para a imunidade. “A atividade física é reconhecida como questão de Saúde Pública. Aí a necessidade de despertar e levar ao conhecimento das pessoas de que a prática de atividade física promove mais saúde, protege contra doenças, proporciona uma vida mais longa de qualidade com autonomia. De uma maneira geral, o exercício promove proteção contra infecções causadas por microrganismos intracelulares, direcionando a resposta imune. Fazendo com que os alunos que continuam fazendo exercícios se tornem indivíduos mais resistentes aos sintomas da covid-19 e de várias outras doenças também”, explica.

Outro aspecto observado por Marilandia foi o psicológico dos alunos. Ela relata que os alunos estavam desenvolvendo ansiedade por estarem distantes, sem contato com pessoas. “A grande reclamação dos alunos era perder a parte social, de conversa, de estarem com os outros e isso já estava prejudicando muito o psicológico, estavam ficando depressivos. Embora as aulas estivessem acontecendo, para os alunos isso não era o suficiente ainda, faltava esse contato”, completa.