Alto Vale
Foto: Divulgação

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

O município de Braço do Trombudo acendeu o alerta para uma possível transmissão de febre amarela após seis macacos serem encontrados mortos em várias localidades do município em menos de uma semana. Apesar de não estar comprovada a circulação do vírus, a Vigilância Epidemiológica da cidade tomou providências a fim de mapear e garantir que as pessoas estejam imunizadas para a doença.

Na semana passada três animais foram encontrados na localidade de Ribeirão Vitória e Baixo Vitória. Nesta semana, outros três animais também foram encontrados, só que no Centro da cidade. A Vigilância Epidemiológica visitou as famílias que residem nas proximidades para fazer o mapeamento e atender as pessoas que precisam de vacina contra a Febre Amarela.

“Estamos fazendo as visitas necessárias. Isso ajuda na prevenção enquanto não sai o resultado pra sabermos se os macacos foram infectados pela Febre Amarela. O mapeamento neste momento é muito importante”, explicou uma das responsáveis pelo setor de Vigilância Epidemiológica do município, a enfermeira Marcia Vermoehlen Felipe. Ela diz ainda que alguns animais puderam ter material coletado e outros não já que estavam em estado de decomposição.

A orientação para os moradores que presenciarem situação semelhante é que entrem em contato com a Vigilância Epidemiológica imediatamente para informar a ocorrência, através dos seguintes contatos: (47) 3547-0481 ou (47) 99936-9091.

A responsável pelo setor de Vigilância Epidemiológica explica também que os macacos mortos são analisados em exames específicos para detectar a causa da morte. Eles são as primeiras vítimas da Febre Amarela e por isso o alerta. Apesar de não transmitirem a doença, a morte deles pode ser um indício de que o mosquito transmissor da doença está circulando nas redondezas.

O que é a Febre Amarela?

De acordo com informações repassadas pela prefeitura do município, a Febre Amarela é uma doença infecciosa febril aguda, que pode levar à morte em cerca de uma semana se não for tratada rapidamente. Em ambiente silvestre, os mosquitos (pernilongo) dos gêneros Haemagogus e Sabethes transmitem o vírus. Os casos humanos ocorrem quando uma pessoa não vacinada entra em contato ou mora próximo às matas e é picada por um mosquito contaminado.

Casos confirmados crescem no estado

Santa Catarina já contabiliza 86 macacos vítimas da febre amarela somente nesse ano. O último boletim epidemiológico da doença, divulgado em setembro, pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive) mostra que o vírus continua circulando no estado. As mortes de macacos foram registradas nos municípios de Apiúna (5), Aurora (1) e Vitor Meireles (1). Os sete animais eram da espécie bugio e tiveram as amostras para exame coletadas em abril.

As notificações acendem um alerta, especialmente, em duas regiões do estado: Serra e Alto Vale do Itajaí, porque comprovam o deslocamento do vírus pelos corredores ecológicos de SC. “O vírus continua circulando no estado e o registro das epizootias nos ajuda a monitorar a doença. Os macacos vivem no mesmo ambiente que o mosquito transmissor da doença e por isso, são os primeiros a ficar doentes. “A morte ou o adoecimento dos primatas é um alerta para os gestores e profissionais de saúde adotarem medidas de prevenção, uma vez que a febre amarela nestes animais precede os casos humanos”, explica João Fuck, gerente de zoonoses da Dive.

Vacina

A vacina é a melhor forma de prevenir a febre amarela. Todas as pessoas com mais de nove meses devem ser imunizadas. A dose é disponibilizada gratuitamente nos postos de saúde de todo o estado. “O alerta é principalmente para essas duas regiões onde as últimas epizootias foram registradas. A cobertura vacinal nesses locais está abaixo de 95% do público-alvo, que é a meta recomendada para prevenção de surto pela doença”, afirma Lia Quaresma Coimbra, gerente de imunização da Dive.

“As pessoas que ainda não se vacinaram, devem procurar uma unidade de saúde. É importante lembrar que estamos nos aproximando do período sazonal da doença, momento em que mais epizootias e casos humanos podem ocorrer. Assim, para evitar surtos de febre amarela e óbitos pela doença, a vacina continua sendo a melhor medida de prevenção”, esclarece João Fuck.