Cidade
Helena Marquardt/DAV

 

Diferente do cenário nacional, a capital do Alto Vale não registrou aumento no número de casamentos homoafetivos como aponta o Cartório de Registro Civil de Rio do Sul. A média de cinco uniões entre pessoas do mesmo sexo foi mantida em 2018 e 2019, enquanto no Brasil o índice teve um aumento de 61,7% só no último ano, de acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Um dos motivos para que o índice não tenha aumentado na região do Alto Vale seria a resistência da comunidade no que diz respeito a casamentos homoafetivos. É o que afirma o técnico em radiologia, Robson Bazílio, que vive junto com o companheiro João Machado há cerca de três anos. Ele conta que o casal tem vontade de oficializar a união, mas teme represálias.

“Por ser uma região isolada de grandes centros, na sua grande maioria, as famílias são conservadoras e as pessoas tem pouco entendimento sobre uma união de duas pessoas com o mesmo sexo”, comenta.

 

No entanto, em outras regiões do país, o índice de casamentos homoafetivos tem aumentado significativamente. Exemplo disso é o Nordeste que registrou um aumento de 85,2% no ano passado. A região que apresentou o menor crescimento foi o Centro-Oeste com 42,5%, de acordo com o IBGE.

 

De acordo com Bazílio, o preconceito e a discriminação ainda são os principais fatores que influenciam na decisão de não oficializar o casamento, mesmo que esse seja o desejo de ambos, e essa situação acaba impactando na vida do casal.

“Isso acaba prejudicando o casal em várias situações, como por exemplo, o fator financeiro. Com um documento que comprove a união, você consegue financiar com mais facilidade um imóvel”, completa.

 

Já a diretora da Rede Municipal de Educação, Juliana Moretti, oficializou o relacionamento de quatro anos com a companheira há cerca de um ano e também acredita que a cidade de Rio do Sul no geral, ainda tem muito preconceito.

“É um preconceito ‘cordial’. Existe uma falsa aceitação. O que falta é o respeito ao próximo, não só ao homossexual”, analisa.

 

Por outro lado, conforme Juliana, o homossexual não deve banalizar as situações e encarar a relação com sensatez.

“A gente que trabalha com educação, percebe isso. Existe um sentimento de ‘coitadismo’ por grande parte dos gays. As pessoas acham que por ser homossexual nada dá certo na vida deles e a dificuldade de conviver é maior. Na verdade não existe classes, apenas uma, o ser humano”, explica.

 

Aumento gradativo

 

O casamento civil entre pessoas do mesmo sexo foi autorizado pelo Conselho Nacional de Justiça somente em 2013. Naquele ano, 3,7 mil foram registrados em todo o país. Em 2018, por exemplo, a soma foi de 9,5 mil.

 

Os números divulgados pelo IBGE também apontam que há um aumento no número de casamentos homoafetivos após a eleição do presidente Jair Bolsonaro nas eleições 2018. Entre janeiro e outubro, a média foi de 546 casamentos de pessoas do mesmo sexo por mês. Em novembro, subiu para 957 e saltou para 3.098 em dezembro, cinco vezes mais que a média.

 

Jorge Matias