Alto Vale
Foto: Alesc

Na tarde de ontem, o médico Leo Cesar Muller esteve reunido com a presidente da Associação das Irmãs Franciscanas de São José, irmã Zulmira Aparecida Mendonça Martins, e o advogado da Associação, Luciano de Lima, em Florianópolis. No fim de semana ele fez uma postagem em suas redes sociais criticando a administração do Hospital Bom Jesus (HBJ), de Ituporanga, que foram rebatidas por meio de nota encaminhada pela entidade.

Ele explica que durante a reunião aconteceram momentos tensos, porém, saiu satisfeito após a conversa. “Há necessidade de humanização dos serviços prestados pelo hospital e estímulo aos funcionários. O hospital não é uma empresa, é uma Santa Casa, uma instituição beneficente”, explica.

O médico também afirmou que o resultado da reunião foi positivo e que houve um acordo que coloca o hospital como uma entidade beneficente. “Precisamos priorizar os atendimentos do SUS, pois o hospital precisa de verbas para ser mantido em funcionamento”, explica.

Entenda a polêmica

O médico Leo Cesar Muller usou as redes sociais no fim de semana para fazer duras críticas à gestão do Hospital Bom Jesus. Ele afirma que após a contratação de uma empresa de consultoria pela Associação das Irmãs Franciscanas de São José, entidade mantenedora do hospital, a Amorim e Associados Consultoria em Saúde, houve uma significativa redução na qualidade de atendimento aos pacientes, na limpeza e manutenção da estrutura do hospital.

Questionado sobre a possibilidade de ser rescindido o contrato com a empresa de consultoria, Muller explicou que a irmã Zulmira foi reticente durante a reunião.

Em nota, a assessoria de imprensa do HBJ informou que as manifestações foram incoerentes e que a diretoria e a equipe de colaboradores são comprometidas e buscam por melhorias constantes para bem atender a todas as pessoas, prezando sempre pela qualidade dos serviços prestados.
O médico diz que visitou as instalações do hospital ao acompanhar a diretora do Hospital São José, de Criciúma, Maria Aparecida Salvatto. “As paredes estão com falhas de pintura, há locais onde o reboco caiu, as camas são impróprias, pois não são hospitalares, os colchões são desconfortáveis e alguns móveis estavam sobre as camas”, conta.

Na nota, o hospital afirma que conta hoje com sua melhor estrutura desde que foi fundado, em termos de equipamentos e aparelhos de última geração. Em relação aos leitos, quase todos foram reformados, com novas camas e também novas poltronas nos quartos para melhor acomodar pacientes e acompanhantes. A Associação das Irmãs Franciscanas de São José presta atendimento à população de Ituporanga e a toda a região da Cebola desde 1936.

O médico também falou que os banheiros estavam sujos, que os quartos que deviam estar sendo desinfetados para receber novos pacientes estavam completamente bagunçados e os pacientes usavam toalhas, cobertas e roupas trazidas de casa.

O HBJ afirmou na nota que a condição sanitária é constantemente avaliada para a liberação do alvará de funcionamento e explica que é uma das unidades hospitalares da região com a menor incidência de problemas causados por infecção hospitalar, o que comprova que entre as prioridades da casa está a limpeza minuciosa e o cuidado necessário em todos os setores, seguindo sempre as orientações e as exigências da vigilância sanitária.

Consultoria hospitalar

Muller alega que a situação do hospital piorou após a Amorim e Associados Consultoria em Saúde iniciar as atividades de orientação administrativa aos hospitais geridos pela Associação das Irmãs Franciscanas de São José. “Agora, com este administrador que vem nas quartas-feiras fazer contas, num escritório, nunca entrou numa enfermaria, faz dos funcionários um joguete, faz média com bajuladores para se manter no comando. O resultado está aí, sem hierarquia, sem comando, sem avaliação de serviços e sem controle sanitário”, adverte.

A nota explica que para continuar mantendo a qualidade no atendimento, desde o ano de 2016, o hospital conta com o auxílio de uma equipe que tem colaborado com a administração e condução dos trabalhos prestados, no controle de gastos e organização funcional.

Afirma ainda que essa contratação, duramente questionada de forma irresponsável e potencialmente criminosa na postagem nas redes sociais, é prerrogativa da Associação das Irmãs Franciscanas de São José, dona e mantenedora do Hospital Bom Jesus.

“Importante que se diga que no decorrer desse período de parceria realizada entre a referida empresa de consultoria e o Hospital Bom Jesus já é possível observar melhorias na parte funcional da entidade com estabilidade nas contas e uma diminuição lenta, porém gradativa, no déficit financeiro”, explica a nota. A dívida do HBJ hoje é de cerca de R$ 1,8 milhão.

De acordo com os dados repassados pela diretoria do HBJ, em 2017 foram realizadas 1.445 cirurgias e na emergência foram atendidas quase 20 mil pessoas. As avaliações realizadas pelos pacientes, por meio do Questionário de Satisfação do Usuário, demonstram e comprovam o reconhecimento da população a uma instituição bem estruturada, equipada, com profissionais dedicados, comprometidos e humanos no trato com os pacientes. “A realidade do hospital em nada se parece ao que foi divulgado nas infundadas críticas”, lamenta a nota.

Tentamos entrar em contato com a diretora geral do hospital, Edelir Stupp, porém, ela preferiu se manifestar por nota encaminhada pela assessoria de imprensa.

Rafael Beling