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Jovens empreendedores direcionam investimentos para o meio rural de Santa Catarina e trazem um novo olhar para atividades tradicionais, passadas de geração para geração. É cada vez mais comum ouvir histórias de filhos de agricultores que se dedicam para aprimorar a produção da família, focados na melhoria do processo produtivo e na geração de renda. Nas mãos desses empreendedores, as propriedades se tornam pequenas empresas, com um processo administrativo bem estruturado e um plano de negócios para o futuro.

Não é raro encontrar em Santa Catarina uma propriedade rural onde pais e filhos trabalham juntos, como sócios. Na família Klehm, da comunidade de Ribeirão do Salto em Taió, é assim. O casal Margô e Vilmar trabalhava na produção de fumo e também fazia pães para vender na cidade. A grande virada aconteceu quando a filha deles, Kíria Klehm, começou a tomar gosto pela panificação, estudou Gastronomia e Processos Gerenciais e resolveu ajudar no empreendimento da família. “Hoje, o que eu faço é um melhoramento do que a minha avó ensinou e do que eu aprendi nos cursos. A gente precisa tanto da parte prática quanto de administrar, porque, querendo ou não, é uma empresa, mesmo rural ou familiar funciona como uma empresa”, afirma.

Há 12 anos no ramo da panificação, a família encontrou no Programa SC Rural o apoio que faltava para ampliar o negócio. Com investimentos de R$ 59.664,00, sendo metade em recursos do programa, o empreendimento familiar ganhou uma nova sede, além de equipamentos para melhorar a produção. Se antes a produção girava em torno de 250 pães por semana, hoje são mais de 400, sem contar os bolos, cucas e tortas. O fumo também já não tem mais espaço na propriedade, ele foi substituído por batata doce, aipim, cará e milho verde, que são a matéria-prima dos pães e bolos.

Kíria explica que o programa não se resume ao apoio financeiro, ele também possibilitou a melhoria na produção e até mesmo a união da família. “Nós produzimos mais, estamos unidos, trabalhando juntos. E eu posso ter um futuro, posso ser padeira, administradora, agricultora, tudo no mesmo local. O SC Rural foi uma bênção, pois abriu nossa visão para o mundo. Nós podemos permanecer na propriedade, continuar nosso serviço e aumentar a produção”, comemorou.

No início do projeto, é claro que a família tinha alguns receios. Com pouca escolaridade, Vilmar e a esposa tinham medo de mudar e investir num projeto novo. Só com muitas conversas com a equipe da Epagri da região é que a família teve confiança para esse desafio. “Quando é para renovar uma coisa, nós temos a cabeça fechada, dá medo. E o SC Rural e a Epagri fizeram a gente enxergar uma coisa maior. Hoje, nós estamos felizes porque estamos no que é nosso. A gente sonhava em ter uma coisa melhor e não estávamos conseguindo. Com o projeto nós conseguimos realizar esse sonho”, disse.

Para o futuro, a família Klehm sonha grande, levada pelos projetos da filha. “Eu penso em lançar mais produtos, coisas novas. Quem sabe o café colonial, um restaurante ou um turismo. Sem perder a qualidade do produto”, afirmou ela. E ir embora para a cidade nem passa pelos pensamentos de Kíria. “Eu sinto orgulho, orgulho de ter conseguido ficar na roça, de ter dado um passo adiante, ficado aqui. Eu gosto do que eu faço”, finalizou.