Alto Vale
Foto: Raylle Ketlly

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Após uma operação da Polícia Civil identificar que algumas fábricas de álcool estavam vendendo o produto adulterado no estado, com formulação diferente do que era indicada na embalagem, os Procon de diversos municípios do Alto Vale já estão notificando supermercados e farmácias. As fabricantes têm até a segunda-feira (20) para recolher os lotes adulterados das prateleiras.

O servidor público Edésio Bilck Neto diz que comprou o produto de duas das marcas citadas na operação em dois locais diferentes de Ituporanga e não se sente mais seguro enquanto consumidor. “Me sinto lesado, não pelos mercados que assim como eu não tinham conhecimento, mas sim pelas fabricantes. A gente se sente inseguro porque estava usando dois meses um álcool gel que não estava nos protegendo de nada”, opina.

A coordenadora do Procon de Ituporanga, Itamara Machado, esclarece que as fabricantes que tiveram irregularidades constatadas foram notificadas pelo Procon estadual e receberam um prazo de 10 dias, que vence na segunda-feira (20) para retirar os produtos de circulação. “Quando a gente recebe alguma reclamação até liga para os mercados e pede para eles mesmos retirarem das prateleiras, mesmo sendo uma responsabilidade do fabricantes, mas é preciso esclarecer para o consumidor que a adulteração foi contatada apenas em alguns lotes e só esses lotes é que precisam ser recolhidos, os demais não”, disse.

Ela diz ainda que os Procons municipais devem receber a orientação de fiscalizar o cumprimento desse prazo a partir de segunda-feira, mas que os consumidores não estejam comprando as marcas que apresentaram irregularidades, que tiveram a sua imagem comprometida. “Os consumidores vão pela marca e não pelo lote e já ficam em dúvida em relação ao produto”, completa.
Já o diretor do Procon de Rio do Sul, Vanderlei Waldrich, informa que na capital do Alto Vale os mercados e farmácias estão sendo notificados. “Nessa fiscalização das 13 marcas analisadas, oito foram rejeitadas porque apresentavam irregularidades. O Procon enviará um comunicado aos estabelecimentos para que retirem imediatamente os produtos porque as pessoas não podem ser enganadas, sentirem a falsa sensação de segurança”, afirmou.

Crime contra a saúde pública

A operação Álcool Falso foi deflagrada no dia 8 de julho e terminou com fábricas interditadas e três pessoas presas em flagrante por crime contra a saúde pública, relações de consumo e o meio ambiente. De acordo coma Polícia Civil, foram constatados que diversos produtos das empresas Brilholac, Bonzão, Mix Lar, Lirio do Campo, Muriel, Lipison e Hayway Cosmetic não obedeciam aos critérios de qualidade e eficiência preconizados pela legislação e pela Anvisa. Eles apresentavam concentração do álcool etílico abaixo dos 70% conforme anunciado, assim não apresentavam a eficácia prometida, principalmente quanto à desinfecção e higienização das mãos e objetos para a prevenção do coronavírus.