Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

A cerveja é uma das bebidas que caiu no gosto dos brasileiros e por essa razão muitas pessoas decidem até produzir de forma artesanal. É o caso de um morador do município de Aurora, que além de iniciar a produção também encontrou uma forma de tornar o processo mais rápido e sustentável através da adaptação de uma máquina a vapor.

Agostinho Senem começou a produzir com a intenção de agradar o paladar de amigos e familiares. No início, o máximo que conseguia fazer eram 80 litros por panela e ele tinha apenas duas. O processo era longo e para conseguir levar a fervura e extrair o malte eram cerca de oito horas.
Para agilizar, ele conta que resolveu construir um sistema mais avançado no espaço que tinha em seu sítio.

“Fazia cerveja em panela de alumínio, 80 litros por batelada e levava oito horas para fazer. Aí era demorado, usava duas panelas para fazer a fervura, extração de malte que levava oito horas. Tive a ideia de construir um sistema mais avançado. Comprei chapas, dobrei e fiz panelões de aço inoxidável. Aí esse processo já foi acelerado, mas gastava muito gás na produção e quem faz cerveja artesanal sabe como é. Aí tive a ideia de comprar uma caldeirinha, usar lenha para fazer e diminuir o custo de produção, porque o gás estava muito caro para produzir a cerveja”, comenta.

A fim de reduzir custos e usando a criatividade, ele resolveu comprar uma máquina a vapor bem antiga, fez a adaptação e com isso adiantou a produção.

“Tive a ideia de comprar uma máquina antiga, uma locomotiv antiga, que estava parada em uma serraria de Rio Engano, em Alfredo Wagner, e fazer a derivação do vapor que vai para a buzina da máquina e levei para dentro dos panelões e esse processo avançou bastante. O tempo que eu levava para fazer a fervura de 250 litros na panela de aço inox depois de transferir o malte, eu consegui em menos de 15 minutos levantar a fervura que levava com o gás duas horas e meia e isso antecipou o processo, me levou a ter uma agilidade, facilidade maior”, explica.

Agostinho ainda comenta que se fosse tocada a lenha não haveria uma forma de controlar o fogo de acordo com a necessidade da produção, mas com o vapor foi possível através de resistências elétricas.

“Se fosse tocada a lenha, seria complicado, não daria certo porque o fogo você não controla e com o vapor eu controlei direitinho, assim como se fosse uma resistência elétrica. Com registros eu consegui mecanizar, fazer o controle do vapor. É um processo interessante porque o que eu levava oito horas para fazer 200 litros, eu consegui com essas horas, na máquina a vapor, fazer de quatro a cinco bateladas, de 1000 a 1200 litros de chopp”, conta.

O morador também ressalta que todo o processo no sistema é sustentável, inclusive a água. “O processo onde utilizo do sistema do vapor, lenha de eucalipto é sustentável, porque a água eu consigo de fonte protegida no meu sítio, na Albertina, em Rio do Sul, que consegui com o reflorestamento de eucalipto, a água é nativa, e faço esse processo sustentável, agregando uma máquina histórica, que é uma máquina da revolução industrial. Ela foi totalmente transformada, adaptada e consigo produzir para o meu consumo e da família, amigos e mostro a história da máquina a vapor para muitas pessoas”, completa.