Alto Vale
Foto: Epagri

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

O cultivo de frutas está se tornando cada vez mais comum na região, mas em Chapadão do Lageado, no qual a maior parte dos agricultores trabalham com a produção de tabaco, cebola e grãos, um morador resolveu investir em algo diferente, uma fruta pouco conhecida chamada Pitaia.  A previsão é que a próxima safra produza cerca de cinco toneladas em mil pés. O preço por quilo chega a R$8.

George Sebold é servidor público e começou a plantação aproximadamente dois anos atrás. Ele conta que não conhecia a fruta, mas que viu uma reportagem mostrando as lavouras pioneiras em Santa Catarina e que decidiu ir ver as plantações dos pioneiros no cultivo de perto. “Meu irmão ouviu em um programa agrícola, em uma rádio que falava sobre a fruta, com os pioneiros do Estado na plantação, aí fomos fazer uma visita nessa propriedade, pegamos mudas e plantamos em vaso e começou a plantação. É uma pequena plantação, são mil pés e foi ótimo ter começado, buscamos mais mudas e uma parte produziu em vaso também”, explica.

A pomar ainda não é a principal fonte de renda da casa, já que George cuida das frutas nas horas vagas, mas garante que é muito satisfatório. “A renda não é a principal aqui em casa, mas espero produzir nessa segunda safra, entre quatro e cinco toneladas desses mil pés. Dá bastante trabalho, eu gasto todo meu tempo na plantação, porque gosto e por necessidade também. Até o momento vendemos em casa e colocamos em alguns mercados da cidade e agora, já que tem uma florada maior, vamos investir na distribuição em outras cidades”, diz.

Questionado sobre o preço de venda, ele diz que a média de venda é de R$8 por quilo e que apesar de distribuir a pitaia nos mercados, ele e a família também trabalham com derivados e pretendem ampliar as receitas. “Estamos produzindo geleia artesanal e vendemos a fruta, pode ser que daqui para frente a gente comece a produzir cervejas, licor e sucos”, comenta.

Produção em Santa Catarina

Segundo a Epagri, a produção mais forte, seria a região sul de Santa Catarina responsável por mais 90% da produção do Estado. A fruta do dragão, como também é chamada, se tornou uma fonte de renda extra para a agricultura familiar. A planta é rústica, portanto não exige muitos tratos culturais e pode ser cultivada sem o uso de qualquer agroquímico. A busca por uma vida saudável, com menos trabalho pesado e longe dos agrotóxicos foi o que motivou muitas famílias a trocarem suas lavouras pelo pomar de pitaia.

O cultivo comercial da pitaia em Santa Catarina começou em 2010 e o Estado já é o segundo maior produtor brasileiro, perdendo apenas para São Paulo. Segundo dados do IBGE, em 2017 o Estado produziu 328,4 toneladas, 270 delas somente em municípios do Sul Catarinense, onde Turvo lidera a produção. Naquele ano havia 120 propriedades rurais em Santa Catarina produzindo a fruta – 80 somente no Sul do Estado. Os números são expressivos, embora fruta ainda seja desconhecida por muita gente.

Benefícios nutricionais

A nutricionista Cristina Ramos, extensionista da Epagri de Florianópolis, acredita que a procura pela pitaia se deve muito por conta das diferentes substâncias com atividade antioxidante que a fruta possui: vitamina C na polpa, betalaína na casca e polifenóis na antecasca. “Substâncias antioxidantes são usadas na prevenção e no tratamento de algumas doenças, como câncer, doenças cardiovasculares e Alzheimer”, explica a extensionista.