Alto Vale
Foto: Divulgação

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Pensando no conceito de permacultura que é um sistema para a criação de comunidades humanas sustentáveis que integra design e ecologia, um morador de Ibirama decidiu construir uma casa sustentável. As paredes, por exemplo, são feitas com barro e serragem. A estrutura que tem 135 m² deve ficar totalmente pronta em dezembro e a própria família tem ajudado na construção.

João Moretti explica que a fundação é feita no sistema convencional, assim como os banheiros que foram erguidos com tijolos e receberam azulejos, mas quase toda a casa utiliza técnicas de bioconstrução. “Na bioconstrução utilizamos métodos construtivos com menor gasto energético e materiais locais”, esclarece.

Para as paredes ele elaborou uma espécie de massa feita com terra e serragem que preenche uma estrutura de madeira. “Até mesmo essa madeira é reaproveitamento, pois veio com a enxurrada e a gente serrou. Já o barro é da própria escavação do terreno da casa e ele vai ajudar a manter a temperatura, a umidade, porque são paredes que respiram e isso tem a ver também com a salubridade, com a nossa saúde”.

O morador revela que até a pintura será feita com argila e a casa terá ainda tratamento de esgoto feito no local. Além disso, a estrutura contará com sistema de captação da água da chuva, não somente para banheiros e outros fins, mas também para consumo da própria família.

O ibiramense revela que o próprio design da casa, inspirado na técnica enxaimel, foi pensado para o melhor aproveitamento da luz do sol. “Pensamos no aproveitamento do sol, para entrar nos quatros, para o ar quente sair e não precisarmos de ar-condicionado. Tem também a parte de aquecimento da água pelo sol e pela serpentina do fogão a lenha”.

O telhado também não será feito de forma convencional. A intenção de João é não utilizar telhas, nem fibras e fazer o chamado “teto verde” onde uma parte da cobertura é feita com vegetação, o que proporciona conforto térmico. “Usamos técnicas que nos dão autonomia de construção e nós mesmos pudemos fazer com material local. Será uma casa que nos proporciona mais saúde porque dependendo da tinta que se usa numa casa convencional, a parede fica liberando compostos voláteis eternamente e a pessoa fica respirando aquilo sem saber, então pensamos nisso, nos materiais que causassem menor impacto”.

Na construção ele recebeu ajuda de pedreiros, especialmente a parte de fundação, mas uma parte do trabalho é feito por ele e pela esposa. A casa recebeu o nome de Morada João de Barro e o andamento da obra é publicado nas redes sociais para inspirar e incentivar outras pessoas a adotarem técnicas mais sustentáveis.