Alto Vale
Foto: Divulgação

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

No município de Salete, um morador apaixonado por história, decidiu fazer parte dela e transformou um rancho em museu. Hoje, o Museu Dona Emília conta com cerca de 400 peças catalogadas, mas o proprietário ainda pretende aumentar o acervo.

Bruno Tamanini está com quase 80 anos de idade, mas a história com as peças antigas não começou agora. Ele conta que sempre gostou de coisas antigas e por isso foi guardando alguns itens que tinha, comprando outros, mas no início, sem a intenção de montar o museu. Foi em 2006 que ele e a esposa decidiram criar algo que resgatasse a história dos antepassados da família e da comunidade.

“Inicialmente foi montado um pequeno espaço em um rancho, que antes era utilizado para guardar fumo. O tempo passou, as coisas foram tomando maiores proporções, continuei garimpando peças por aí, ganhando, trocando e comprando para aumentar o acervo. Em 2010, em conversa com meu irmão Juliano, surgiu a ideia de oficializar o museu no encontro dos descendentes de Raimundo e Emília Corbani Tamanini. Organizamos e em 10 de outubro de 2010, foi inaugurado oficialmente o Museu Dona Emília, que recebeu esse nome em homenagem à nossa mãe, Emília Corbani Tamanini”, conta.

O museu conta com uma variedade de peças, todas organizadas por setores. Segundo Tamanini, o maior diferencial é poder ler, ouvir e até perguntar sobre a maioria dos itens, pois a pessoa que estiver atendendo saberá explicar a origem e para que serve. Ao todo, já são aproximadamente 400 peças catalogadas e há outras que estão sendo providenciadas.

“Ainda compro, troco e ganho muitas peças. Inclusive, quem tiver interesse em preservar a história de sua família, pode entrar em contato conosco. Precisa apenas fazer um pequeno histórico da peça, com data e nome de quem doou”, explica.

Além do Museu Dona Emília, a propriedade conta com uma pequena Via Sacra, pensada especialmente para idosos, visto que o trajeto é curto e de fácil acesso. Ao fim da Via Sacra existe um local próprio para meditação e oração, chamado de Meditatório Tio José. Lá tem também outras peças maiores e que remetem aos colonizadores.

Prestes a completar 80 anos, ele diz que se sente bem com tudo o que já conquistou e ainda conquista. “Esse ano eu completo 80 anos e me sinto feliz e realizado por ter construído, junto com minha família, algo tão importante e relevante para o município de Salete, do qual tanto me orgulho”, avalia.
Para Bruno Tamanini, o museu carrega uma importante missão, que é guardar a história e criar memórias.

“Costumo dizer que quem não tem memória não tem história e vice-versa, pois é muito importante preservar a história, principalmente para mostrar para as novas gerações, que muitas vezes não fazem ideia de como as coisas eram no passado, e também para as pessoas que sabem como tudo funcionava, poderem reviver e matar a saudade. O tempo passa e tudo evolui muito rápido, a tecnologia toma conta e muita coisa cai em desuso ou ganha novas versões, deixando pra trás muitos itens que acabam ficando esquecidos, de lado ou indo pro lixo”, destaca.

Durante a pandemia o museu ficou fechado, mas agora os atendimentos já voltaram a ser realizados com todos os protocolos de segurança. Em 11 anos, mais de sete mil pessoas visitaram o local que fica localizado na comunidade de São Luiz, próximo ao portal de divisa com o município de Taió.
“É um museu particular, porém aberto ao público. Para agendamentos de visita e dúvidas, é preciso ligar nos telefones (47) 3563-0271 ou (47) 9 9605-9147″.

Algumas das peças em exposição, são: Uma Arataca trazida da Itália por Nicoló Tamanini, em 1875, que funciona como uma armadilha para capturar animais; há também uma lousa escolar de pedra ardósia usada nas escolas em meados de 1900; um projetor de filmes antigo usado para exibir filmes em cinema; fonógrafo, um modelo que imita os primeiros toca-discos, conhecido como vitrola ou gramofone, movido a manivela; um guarda-louças usado para guardar louças na parte de cima e mantimentos na parte de baixo, a peça é de 1933 e pertenceu à Emília.