Alto Vale
Foto: Arquivo pessoal

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Uma boa parte das pessoas já pensou em morar fora do país algum dia, mesmo que por pouco tempo para fazer um curso ou trabalhar. Para o rio-sulense, Tailon Janiel da Luz, o sonho quase se tornou realidade, mas para sua decepção, caiu no golpe de um falso estágio em Londres, com mais de R$28 mil. Até o momento a quadrilha responsável não foi encontrada.

Tudo começou no ano passado, quando o jovem decidiu que queria mudar de vida, fazer algo diferente pela sua carreira. Ele começou a estudar inglês com a intenção de ir morar fora para fazer um estágio, na Europa, pela segunda vez. Então, fez algumas inscrições com empresas que recrutam pessoas para trabalhar fora do Brasil. Depois de algum tempo, para sua felicidade, recebeu um e-mail falando da aprovação no processo seletivo.

“Depois de três meses, início de abril, recebi um e-mail, supostamente da Continental, dizendo que eu havia sido aprovado no processo de seleção. Acabei vendo o e-mail dois dias após e perguntei se ainda dava tempo para participar, eles responderam que sim e enviaram um questionário com algumas coisas para qualificar um pouco mais. Eu respondi, fiz tudo certo. Eles responderam que estava qualificado a dar continuidade no processo de seleção”, conta.

Ele começou a providenciar a ida para Londres, conforme as recomendações recebidas da suposta empresa e como já fez estágio na Letônia há alguns anos, sabia que o pagamento de algumas taxas era comum, mas não imaginou que cairia em um golpe.

“Foram fazendo mais perguntas e para dar continuidade eu precisava pagar algumas taxas referente a três meses de alimentação, três meses de seguro de saúde de vida europeu e três meses de aluguel. São taxas comuns de ter que pagar, porque quando fui para a Letônia já tive que chegar com tudo certo”.

Até aí tudo estava dentro da normalidade, mas o seguro de saúde cobrado era muito alto e Tailon chegou a cotar no Brasil, mas a empresa não aceitou e disse que precisaria ser um plano específico contratado com uma empresa parceira. “Quando me passaram que eu teria que ter o seguro de saúde eu cotei com três empresas no Brasil e dava bastante diferença de valor. Mandei para eles as cotações, tudo o que estava incluso, mas disseram que não, que precisava ser naquela empresa que era parceira e dentro daquilo que me apresentaram que ficaria englobado naquele valor seria um seguro completo, cobertura bem alta, mas fazia sentido”, conta.

Apesar de achar caro, Tailon continuou porque o plano era bastante completo. Então, outras taxas começaram a aparecer e o pior é que o valor teria que ser enviado em libra esterlina, que atualmente está cotado em mais de R$6,20. Tailon passou a ter dificuldades e chegou a pegar dinheiro emprestado com a mãe para completar o valor.

“Consegui o valor do aluguel e alimentação. Precisei pedir um pouco de dinheiro emprestado da minha mãe porque eu já não tinha tudo. O próximo passo era o seguro de saúde, eu já não tinha o valor porque passava de R$11 mil, e tive que colocar meu carro à venda, porque eu precisava de dinheiro e também passaria muito tempo sem utilizar, não sabia quando voltaria para o Brasil, já que o contrato inicial seria de seis meses. Então tinha que vender rápido porque tinha prazo para ir e me apresentar. Eles me colocaram pressão, eram rudes comigo, tinha uma pressão psicológica”, lembra.

Além de tudo isso, para fazer o envio dos valores era necessário fazer uma remessa expressa e para isso contou com a ajuda de algumas empresas que prestavam esse tipo de serviço, mas era difícil. Depois de vender o carro e pagar todas as taxas, o golpista pediu um valor de quase R$9 mil para abrir uma conta onde Tailon receberia seu salário, ele usou o valor que restou da venda do carro para pagar.

“Depois disso, com muita dificuldade eu consegui, estava me despedindo da família e amigos, três dias antes de viajar, quando me pediram mais R$17 mil para finalizar a emissão do meu visto de trabalho e ali já não tinha o que fazer, disse que precisava de reembolso porque não tinha mais de onde tirar. Aí me deu um clique de ir ao site da Continental, porque pesquisei o valor do visto e era bem menor, muito menos do que estavam pedindo, aí entrei em contato com a Continental, passei contato da pessoa que falava comigo, achei ajuda e suporte, passei para eles e me disseram que era um golpe, que esse golpe está sendo aplicado, mas não sabem quem está aplicando e quem está passando por isso”, revela.

Ele chegou a registrar Boletim de Ocorrência, mas o caso é bastante difícil de resolver, uma vez que para sacar o valor basta uma sequência numérica e o nome que era passado. “É difícil de achar essa quadrilha, porque como a pessoa estava lá no outro país, só com a sequência numérica e o nome dela que era fornecido para mim antes já conseguia sacar o valor na agência de lá e fica difícil essa questão de rastreio porque não existe uma conta bancária, tem tudo isso que eu acredito que esteja dificultando para a polícia”.

Tailon ainda afirma que no momento em que descobriu o golpe ficou sem chão e chegou a entrar em depressão. “Meu chão caiu, foi arrancado um sonho, meu financeiro. Vendi minhas obras de arte por um valor bem menor porque fiquei a pé, com dívida e passei dificuldade. Após isso, fiquei em depressão, pensando no que fazer e a polícia até hoje não descobriu nada, estou aguardando respostas”, finaliza.