Alto Vale
Foto: Divulgação

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

A correria da cidade, as longas jornadas de trabalho, a pressão, a cobrança. Esses foram alguns dos motivos que fizeram com que a Pouso-Redondense de 27 anos, Daiana Borgueson, trocasse a cidade pelo silêncio e calmaria do interior. Após 10 anos de muito trabalho, a administradora especialista em gestão de empresas e pessoas resolveu se dedicar à plantação de morangos e aos cuidados com a saúde.

Os pais de Daiana sempre foram agricultores, trabalham com tabaco e produção de leite,  mas ela começou a trabalhar em empresas da cidade com apenas 16 anos. Quando concluiu o Ensino Médio usava o dinheiro que ganhava com o trabalho para pagar a graduação e depois, as duas especializações que fez. Mas mesmo com muita dedicação, continuar na cidade não foi possível devido a problemas de saúde, que segundo Daiana foram desenvolvidos no dia a dia. Foi aí que ela decidiu mudar de vida.

“Voltei porque desenvolvi problemas de ansiedade por estar trabalhando sob pressão, cobrança, o que desencadeou uma ansiedade e ainda faço tratamento. Resolvi voltar e trabalhar com meus pais aqui e nessa volta pensei em ter meu próprio negócio. Sempre foi meu sonho, quando estudava já pensava em abrir meu próprio negócio e vi no interior uma oportunidade de realizar”, conta.

O mais comum é ver pessoas trocando o campo pela cidade, mas Daiana fez o caminho inverso e não se arrepende. Em setembro de 2020 ela voltou a morar no interior e com ajuda da Secretaria de Desenvolvimento Rural resolveu investir no plantio de morangos. Ela conta que o apoio técnico foi essencial para a tomada de decisão.

“O apoio da Secretaria de Desenvolvimento Rural foi muito importante para mim porque eu não tinha nenhum entendimento, nem conhecimento sobre a produção de morangos e foi através do secretário Luiz Nelson Borghezan e os dois agrônomos, Felipe Gomes e Felipe Estevão que consegui ajuda para o cultivo. Por isso consegui abrir meu negócio e cultivar um produto de forma saudável.”, comenta.

Ela ainda comenta que a intenção é evoluir a cada dia para poder fazer a distribuição dos produtos em supermercados e merenda escolar.

“Com o apoio do Luiz e do Município de Pouso Redondo consegui achar o meu negócio, onde descobri a produção de morangos e hortaliças. Em cultivo fechado, na estufa e orgânico, sem nenhum agrotóxico, inclusive já estou providenciando o cadastro para receber certificação orgânica para poder comercializar também para a merenda escolar”, explica.

Questionada sobre as dificuldades encontradas, Daiana afirma que o trabalho é satisfatório, mas que ainda assim foi difícil começar do zero. “Ainda bem que tive apoio dos avós e minha mãe para montar os abrigos de morango e também no plantio”, avalia.

Um ano após a mudança de vida, Daiana diz que não se arrepende e que ainda pretende ampliar a produção em mais de 100%. “Plantei 550 pés de morangos a mais a variedade de hortaliças e maracujás. O plantio foi feito em julho desse ano. A colheita está iniciando agora, aos poucos porque são novinhos os pés. Pretendo colocar mais mil a dois mil pés de morangos. Por enquanto estou vendendo para amigos e conhecidos e de porta em porta, mas no ano que vem vou entrar com o selo orgânico e vou conseguir colocar na merenda escolar e nos mercados pois é um produto de qualidade e saudável. Com esse selo muitas portas vão se abrir”, completa.

De acordo com o prefeito do município, Oscar Gutz, a Administração do município tem investido em ações para dar apoio às pessoas que querem investir no meio rural como forma também de fornecer condições para os jovens continuarem trabalhando no campo sem precisar mudar para os centros em busca de emprego. “Temos diversas ações em andamento e que podem ajudar esses jovens, como a Daiana, que buscam  campo.  Nós até já repassamos um trator à associação dos agricultores da Santa Rita e encaminhamos à Câmara um Projeto da Lei para encaminhar mais um trator aos produtores orgânicos. Já realizamos também um pacote de medidas para auxiliar os produtores rurais do município, como desconto na utilização do maquinário da Prefeitura e subsídio para as associações, além da manutenção dos acessos até as benfeitorias da propriedade”, finaliza.