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Foto: Cláudia Pletsch

Reportagem: Cláudia Pletsch/DAV

Há anos os moradores do bairro Taboão em Rio do Sul vêm sofrendo com a falta de água. Eles alegam que diariamente as torneiras secam e aqueles que vivem no local precisam deixar de fazer tarefas básicas do dia a dia. Agora, eles pretendem se reunir e pedir a ajuda do poder público para que os reservatórios que foram instalados no bairro há mais de um ano comecem a funcionar imediatamente.

Marco Aurélio Demarch é morador do bairro e explica que a falta de água prejudica a todos. Ele conta que os vizinhos não podem fazer atividades simples, como lavar roupas ou calçadas pois o gasto poderia prejudicar os outros moradores que precisam da água para preparar alimentação ou para fazer a higiene pessoal. “No Taboão é mais fácil dizer quando não falta água do que quando tem, principalmente na parte alta do bairro que é onde a gente tem reclamações há muito tempo. Isso já vem de muito tempo, quase todos os dias tem reclamação”, comenta.

Ele ressalta ainda que há cerca de dois anos os moradores se reuniram e fizeram um protocolo junto a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) pedindo a instalação de reservatórios para que o abastecimento não fosse prejudicado. Depois do pedido ele conta que os reservatórios foram instalados mas nunca foram ativados e que já faz um ano e quatro meses que eles esperam a ligação. “No começo a Casan até se mostrou bem prestativa até porque era a época em que se começou a discutir a municipalização e a prefeitura queria assumir os serviços, aí a Casan foi e instalou os reservatórios mas agora estão lá parados, e cada vez a Casan inventa uma desculpa diferente. No começo diziam que faltava documento do proprietário do terreno, o que é um absurdo pois eles não iriam colocar um equipamento daquele valor lá se não pudessem ligar por faltar algum documento. Depois disseram que faltavam peças para ligar e foi feita a licitação das peças, aí falaram que tinha dado problema na licitação. Nas últimas vezes falaram que eles estavam com uma demanda muito grande e não conseguiriam atender até a eleição, e agora novamente depois de 20 dias as desculpas são de que agora para o final do ano vão conseguir ligar”, comenta.

O representante comercial Rodrigo Luiz Krause também é morador do bairro e revela que na sua residência a falta de água já é comum, por conta disso muitos moradores já pensam em se reunir e fazer um protesto como forma de pedir ajuda do poder público. “Todos os dias tem falta de água, nas duas últimas vezes que faltou foi por quatro dias seguidos e daí é complicado pois mesmo eu tendo uma caixa de mil litros uma hora acaba. Na minha casa acabou a água na quarta passada, na sexta-feira minha caixa esvaziou aí fui lá no relógio ver se estava tudo certo e vi que não tinha água, então marquei a numeração que estava no relógio para averiguar. No sábado de manhã voltou um pouquinho e eu pensei que tinha enchido a caixa mas olhei não tinha entrado nem 80 litros, quando fui olhar no relógio marcava como se tivesse entrado 1,3 mil litros de água, então a gente está pagando muito mais ar do que água. Eu gastava de 7 a 10 metros cúbicos de água por mês e nas últimas faturas veio 17 a 20 metros cúbicos. A Casan disse que isso não acontece, mas acontece”, relata.

Rodrigo comenta ainda que entra em contato com a empresa de abastecimento todas as vezes que falta água mas que não tem um retorno satisfatório. “Eu ligo todas as vezes que falta água, geralmente eles alegam que não sabiam de nada que no sistema deles não dizia que faltava água, ou eles inventam alguma desculpa relacionada a alguma obra ou algo assim. Eu construí minha casa em 2011 ali e já acontecia esse problema. É bem complicado pois tem os reservatórios que fazem mais de anos que estão ali que a Casan alega que não está em operação mas a gente ouve falar que eles enviam água para outro loteamento”, relata.

Kate Gilz Neckel também mora no bairro Taboão e confirma que a falta de água diariamente prejudica a todos. “Antes isso acontecia por um período maior, geralmente no sábado a gente não tinha água nem para limpar a casa nem para nada e desde o final de novembro até agora todos os dias falta água, quando vem, vem sem pressão e de sexta até no domingo a noite não tem nada de água, nos dias em que você pode estar em casa lavar uma roupa não tem água nem para molhar uma planta”, comenta.

Procurado pela reportagem o chefe da agência da Casan de Rio do Sul, André Ledra Zagheni, explicou que o bairro teria sofrido desabastecimento durante os últimos seis meses em função das obras na Estrada Blumenau. “De forma pontual e programada, sem ultrapassar um período de desabastecimento maior que seis horas por dia, o que justifica o aumento frequente de desabastecimento durante este ano. Porém as obras da Estrada Blumenau já estão finalizadas e não afetam mais o abastecimento do bairro Taboão. O desabastecimento que ocorreu no final da semana passada teve motivo em um vazamento oculto, que só foi localizado através de geofonamento na madrugada do dia 12 de dezembro sendo o conserto realizado na manhã do mesmo dia. A recuperação do abastecimento se deu de forma gradativa normalizando totalmente na noite do mesmo dia e assim se mantém até o momento”, relata.

Com relação aos reservatórios André ressalta que os mesmos devem entrar em funcionamento até o dia 18 desse mês. “Em relação ao reservatório, após a entrega do equipamento foi possível iniciar o procedimento licitatório para aquisição das peças hidráulicas necessárias para interligar com a rede de abastecimento de água tratada, são peças que precisam ser confeccionadas pois não existem a pronta entrega. A programação da Casan era colocar os reservatórios em funcionamento no mês de Julho de 2020, mas não foi possível em virtude do afastamento de parte da equipe técnica pelo Covid-19 e o restante atendendo as obras do município e manutenções de rotina”, finaliza.