Alto Vale
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Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Moradores do Bairro Pinheiro em Presidente Getúlio relatam problemas causados por fuligem produzida pela caldeira de uma empresa há quase dois anos. Segundo eles, a sujeira trazida pelo ar pode ser percebida durante a semana e também aos sábados e domingos, mas o que mais preocupa é que ela estaria comprometendo até mesmo a saúde da população.

A aposentada Leopoldina Mondini, de 67 anos, conta que seu quadro de saúde vem se agravando dia a dia e que já precisa tratar problemas respiratórios. “Tem sido muito difícil com essa fumaça e fuligem direto. Já tenho problemas de respiração por causa disso e me sinto muito mal. Tem ainda a questão da sujeira, mas eu me preocupo mesmo é com a questão da saúde. Não sabemos mais nem onde ir porque o problema não se resolve”, relata.

Ela comenta que já procurou a prefeitura, mas não teve nenhum retorno e que o problema vem se agravando. “Não tem mais dia nem hora. Não podemos nem fazer atividades rotineiras do dia a dia como lavar uma roupa porque suja tudo. É sábado, domingo e durante a semana e é bem complicado”.

A auxiliar de serviços gerais, Sirlei Helmann vive no bairro há mais de uma década e conta que a filha de apenas dois teve problemas de pulmão, que ela acredita terem sido causados pela fuligem. “Antes ela não tinha nada, mas acredito que essa fumaça e fuligem direto prejudicou. Fui atrás de uma solução, levei foto e tudo na prefeitura, mas falaram que não podiam fazer nada”.

A bióloga Alessandra Fusinato também é outra moradora do bairro que sofre com a fuligem. Ela comenta que o material é resultado do funcionamento de uma caldeira que ela acredita estar funcionando sem nenhum filtro. “A caldeira provavelmente não tem filtro ou não ligam para economizar energia. Nós sabemos de onde vem porque é um imóvel específico e já denunciamos, mas até hoje o problema não foi resolvido”, conta.
Ela afirma que no ano passado após reclamações, a fuligem não foi percebida durante três meses, mas em dezembro voltou a ser registrada pelos moradores quase que diariamente. “Ano passado reclamei, fiz a denúncia para o setor responsável pela fiscalização na prefeitura, mas não sei se foram atrás. Em agosto, outubro e novembro pararam e dezembro voltou. Desde lá, a gente sofre a semana toda. Se tiver vento é garantia de carvão, a gente não pode nem lavar uma roupa e sabemos que não há dúvidas de que esse material é prejudicial para a saúde”, completa.

O que diz a prefeitura?

O engenheiro florestal da Secretaria de Agricultura e Departamento de Meio Ambiente (Sedema), Márcio Vanderlinde, explica que a fiscalização em todas as indústrias é feita frequentemente, mas ressalta que o bairro Pinheiro tem muitas empresas de base florestal e madeireira e que de tempos em tempos ocorrem problemas com a fuligem.

Ele declarou que neste caso específico a empresa citada pelos moradores teve o problema numa caldeira no final de semana e que já foi notificada. “Mas a gente sempre solicita o laudo técnico da emissão de efluentes atmosféricos que são os laudos da caldeira, chaminé, filtros e todos os documentos estavam de acordo com a lei. Os moradores reclamaram porque nesse final de semana a caldeira teve um problema num tambor e realmente saiu fuligem, mas fomos lá e conversamos com o proprietário”, disse.

Questionado sobre a alegação de que o problema é recorrente há quase dois anos, Márcio voltou a afirmar que a fiscalização ocorre sempre ou as empresas não teriam sequer a licença ambiental. “Quando tem algum problema nós mesmos já notificamos a empresa. Quase todas já foram notificadas quando aconteceu algum problema. A fumaça preta principalmente tem essa coloração escura quando ela é ligada ou abastecida com material mais úmido, mas isso é uma situação que em qualquer caldeira do mundo vai acontecer”, finaliza.