Alto Vale
Foto: Mila Signori - O volumoso livro nas mãos de Moratelli repersenta o planejamento da Defesa Civil estadual traçado em parceria com a JICA

Uma moção de autoria do vereador Glauco Kuhl (PP), e aprovada em assembleia da União das Câmaras de Vereadores do Alto Vale do Itajaí (Ucavi), proporcionou a vinda do Secretário de Estado de Defesa Civil, Rodrigo Moratelli, para uma reunião com representantes dos Legislativos do Alto Vale do Itajaí na sede da Amavi, realizada na manhã de ontem.

O encontro teve como objetivo apresentar aos representantes da população as ações realizadas pela Secretaria de Estado de Defesa Civil, como também, as obras e ações futuras planejadas pelo órgão para a prevenção e mitigação de desastres naturais.

Segundo o autor da moção, Glauco Kuhl, a intenção não é apresentar ideias que solucionem o problema das cheias, mas que minimizem os impactos dos fenômenos na região. “Estamos a cada dia enfrentando mais dúvidas e incertezas. O que nós queremos com a presença do Secretário é ter uma conversa prática e legítima para que sejamos orientados sobre o que está sendo feito”, revela.

Uma das principais propostas que vem sendo discutidas, é a construção de um canal extravasor paralelamente ao Aeroporto Helmuth Baumgarten, que é de propriedade do município de Rio do Sul, mas está localizado no perímetro urbano de Lontras. A ideia é de caráter popular e foi apresentada por um morador da cidade, consiste na abertura de um canal para onde a água do rio Itajaí-Açu seria desviada a partir do momento que o rio atingisse um nível acima do considerado normal, cortando um trecho natural do curso do rio de mais de mil metros de extensão.

De acordo com o secretário Rodrigo Moratelli, além desse canal, outros dois já foram sugeridos, um nas proximidades da Cerâmica Rainha e outro próximo ao Camping Paraíso. Porém, ele afirma que os estudos técnicos realizados pela Defesa Civil apontam que estas obras trariam resultados inexpressivos em relação ao nível do rio. “Não é só tirar a água do curso normal, é entender se esse aumento da aceleração do rio não causa degradação na margem, se não causa um volume de cheias maior à jusante, então você trabalha dentro de um valor médio tentando reduzir esses impactos”, explica.

A única intervenção nesse sentido, aprovada tecnicamente pelo órgão estadual, é a construção de um canal extravasor na região do Salto Pilão, além de melhoramentos fluviais em nove trechos do rio, onde estudos técnicos apontam alterações importantes em todo o processo, o que minimizaria os impactos das cheias.

O vereador de Lontras explica que se a Defesa Civil demonstrar tecnicamente que essas obras não alcançarão o resultado esperado, a população precisará aceitar. “Estamos mobilizados para auxiliar a Defesa Civil no que for necessário. Precisamos entender o que acontece e apoiá-los, se for o caso. Se a solução for a construção de mais barragens, e eles nos comprovarem tecnicamente isso, terão nosso apoio”, explica.

Andamento das mini-barragens

O plano de prevenção e mitigação à desastres naturais foi idealizado pela Japan International Cooperation Agency (JICA), e já foi aprovado no passado por entidades representativas da sociedade, como é o caso do Comitê da Bacia do Itajaí. Moratelli explica que, apesar dos esforços do Poder Público, o processo de implantação das mini barragens não tem aceitação popular. “Já perdemos o timing, deveríamos estar com algumas dessas obras em execução. O motivo desse atraso é da própria população local onde algumas pessoas não se envolveram na defesa e outros se envolveram no processo anti-barragem”, lamenta.

Das cinco localidades do Alto Vale onde a Defesa Civil estadual planejou a construção das barragens, o processo está em andamento em apenas duas, que são Mirim Doce, no rio Taió, e Petrolândia, no rio Perimbó. “Temos as duas obras licitadas e estamos concluindo o processo de desapropriação dos locais de obras. Nosso planejamento prevê a construção de mais quatro, três, ou duas, pois dependemos da aceitação da comunidade local”, explica.

As outras localidades onde estão previstas a construção de barragens são na região de Pouso Redondo, no Rio das Pombas, onde seriam construídos dois barramentos, outras duas obras nos rios Garganta e Carrapato, em Agrolândia, e outra no rio Braço do Trombudo, em Braço do Trombudo.

“Temos que nos reunir em um único propósito que é reduzir o impacto das cheias na região do Alto Vale do Itajaí, e também difundir a política de gerenciamento de riscos da Defesa Civil estadual, que é uma realidade”, explica Moratelli.

Os investimentos realizados na aplicação do programa da JICA até o momento chegam a R$ 150 milhões, e a expectativa de Moratelli, com a conclusão de todo o plano, é que mais R$ 500 milhões sejam investidos. “Estamos sendo um case de sucesso, mas temos que entender que este trabalho não nasce da cabeça de um ou de outro, nasce de um estudo consolidado, de um trabalho feito que tem um norte, que tem um planejamento”, finaliza.

Rafael Beling