Saúde
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O homem de 38 anos, que estava internado Hospital Regional de Rio do Sul, desde o dia 19 de fevereiro, aguardando transferência para alguma unidade que ofereça suporte de oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO), veio a óbito nesta quarta-feira (3), por volta das 10h30. O paciente transferido de Chapecó, estava na Unidade de Terapia Intensiva da Covid-19 e o seu quadro era tão intenso que o respirador normal não conseguia cumprir a necessidade de oxigenação do sangue.

O assessor jurídico do hospital, Marcos Zanella, ressaltou que apesar de todos os esforços não foi possível salvá-lo já que o governo do Estado não cumpriu a liminar para a realização do procedimento. “Com misto de tristeza, angustia e até um pouco de sentimento de frustração eu toda a diretoria e equipe técnica do hospital apesar de todo o esforço que fizeram para tentar salvar a vida desse paciente que veio ao Hospital Regional depois de passar por dois ou três hospitais lá no Oeste do estado. Tinha uma idade que permitia a tentativa do uso da oxigenação extracorpórea que o Hospital Regional ainda não tem e que o SUS, o estado apesar de estar há um ano nessa crise da pandemia também não se habilitou a fazer mas que alguns hospitais privados aqui perto tinham. Apesar de termos a participação e compreensão do Ministério Público que no dia 20 de fevereiro já protocolou uma ação e que no mesmo dia teve um resultado positivo do Poder Judiciário, mesmo com todo o esforço até o dia de hoje o estado não tinha prestado serviço ao paciente que não resistiu e veio a óbito”, lamenta.

Entenda o caso

O diretor-técnico do Hospital Regional, médico Marcelo Vier Gambetta, explicou que o comprometimento é tão intenso que os pulmões não conseguem suprir a oxigenação do sangue. “Por conta disso nós da UTI covid recomendamos, já na sexta-feira passada, a utilização do ECMO”. Trata-se de um dispositivo por membrana, que desvia o sangue, fazendo a função do pulmão, que poderia ser chamado de artificial. “Desde o dia 19 buscamos tratativas com a Central de Regulação para que seja providenciado esse suporte e mesmo com a decisão judicial nada aconteceu”, colocou Gambetta. “A gente não sabe se o paciente, sem comorbidades, sobreviverá até que o governo do Estado contrate esse serviço”. O médico observou que é a última tentativa de recuperação, em uma corrida contra o tempo.

O assessor jurídico do Hospital Regional de Rio do Sul, Marcos Zanella, adiantou que o Ministério Público de Santa Catarina foi procurado no sábado (20) para que ingressasse com uma ação civil pública, no sentido de obrigar o Estado a oferecer o serviço, que em Santa Catarina não é disponibilizado pelo SUS. “Ainda no sábado o juiz Fernando Rodrigo Busarello concedeu a liminar, dando prazo de 48 horas para o seu cumprimento, estipulando multa de diária de R$ 10 mil”. O advogado disse que a única informação é que o serviço está sendo licitado pela Secretaria de Estado da Saúde. “Estamos mobilizando o poder judiciário da Comarca de Rio do Sul no sentido que essa liminar seja cumprida, em benefício do paciente”, complementou.