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Foto: Helena Marquardt

Reportagem: Rafaela Correa/ DAV

Casos suspeitos de reinfecção pelo coronavírus já foram relatados por algumas pessoas em Santa Catarina. Essa semana, uma Ituporanguense relatou em suas redes sociais que teria sido infectada pela segunda vez após cerca de quatro meses, e afirmou que os sintomas estão diferentes e mais fortes do que antes. Segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina o caso ainda não foi notificado e no estado existem apenas quatro casos suspeitos.

Sirléia Lopes Sebold trabalha atualmente em outro município e usou as redes sociais para falar sobre sua situação após ter sido diagnosticada com covid-19 pela segunda vez. Ela diz que está em isolamento há 15 dias e que os sintomas ainda persistem. “Quando passamos pela recuperação da doença, o corpo fica mais frágil, só que querendo ou não ela dá uma falsa segurança, acabei descuidando, descuidando no fato de não usar tanto álcool, não lavar tanto as mãos e isso é uma coisa recorrente de quando a gente tá com muito medo, quando a gente já passou por isso não é que evita, mas volta ao antigo normal e isso faz a diferença”, afirma.

Segundo ela, o marido e a filha moram na mesma casa, mas não foram infectados pelo vírus.

A servidora disse em entrevista ao DAV que a suspeita de reinfecção teria surgido há algumas semanas, quando alguns sintomas da doença começaram a aparecer novamente. “Na segunda vez eu comecei a sentir calafrios durante uma madrugada, tive febre, tosse seca e foram acelerando os sintomas que inclusive são diferentes e que eu não tive no começo. Voltei para o hospital porque estava com muita falta de ar, lá eu fiz um teste rápido e deu negativo porque fazia só três dias dos sintomas, então fiz o swab que deu positivo, fiquei em monitoramento hidratando, cuidando, com muitos sintomas. Perdi olfato, paladar, perdi o apetite, agora que estou tentando me alimentar melhor, porque mesmo não sentindo o gosto ou cheiro da comida preciso estar me alimentando bem, já que tomei bastante medicamento”, comenta.

Sirléia conta que o primeiro resultado positivo teria sido recebido no mês de julho. Após dias de sintomas fortes e monitoramento pela equipe da Saúde ela diz que fez o teste e que confirmou a suspeita. “Fiz dois testes. O primeiro com oito dias não positivou, mas como os sintomas permaneciam fui monitorada pela Saúde e os sintomas não melhoravam. O que eu tinha de sintomas na época era muita cefaleia que permaneceu por uns 80 dias, dor no corpo, dores terríveis, calafrios e muito cansaço, cansaço muito forte, então como isso permanecia eu refiz o teste rápido com 12 dias de sintoma e deu positivo. Permaneci com vários sintomas por muito tempo. O cansaço e a dor de cabeça permaneceram por uns 80 dias”, lembra.

Após 15 dias de isolamento, Sirléia ainda não é considerada recuperada justamente pelos sintomas e diz que se sente mais frágil. “Me sinto mais vulnerável. Está sendo uma experiência bem difícil, todos os dias parecem sintomas diferentes e muito provavelmente não criei anticorpos, como apareceu o vírus nas vias aéreas, é provável uma reinfecção e não uma persistência, então como eu disse, vou ter que manter sempre os cuidados. Não é brincadeira, a doença vem mais forte, talvez porque o corpo já esteja deficitário. Pretendo fazer exames para ver se não ficaram mais sequelas”, destaca.

De acordo com Nota Técnica Conjunta 004/2020 emitida pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive), Laboratório Central (Lacen), Superintendência de Vigilância em Saúde (SUV), Secretaria de Estado de Sáude (SES) e Governo do Estado sobre as orientações e condutas em relação aos casos suspeitos de reinfecção, são considerados suspeitos os indivíduos com dois resultados detectáveis de RT-qPCR para o vírus SARS-CoV-2, com intervalo igual ou superior a 90 dias entre os dois episódios de infecção, independente da condição clínica observada durante os períodos.
Segundo assessoria de comunicação da Dive não é possível afirmar que existe a confirmação de reinfecção. Em Santa Catarina há apenas quatro casos suspeitos, mas todos os possíveis casos estão sendo acompanhados e investigados. A reinfecção ainda está sendo estudada.