Alto Vale
Foto: Divulgação

Reportagem: Helena Marquardt/ DAV

Encontrar um amor na internet por acaso, um homem gentil, inteligente e quase sempre bem-sucedido. Esse poderia ser o roteiro perfeito de uma comédia romântica, mas na realidade o sonho de viver um verdadeiro conto de fadas acaba tornando muitas mulheres vítimas fáceis para criminosos que acabam com o sonho de qualquer final feliz. Nos últimos meses várias moradoras do Alto Vale têm sido vítimas do chamado “golpe do bom partido”.

A advogada Fabiana Linhares relata que já atendeu quatro mulheres que viveram histórias parecidas. Ela acredita que o crime praticado em Santa Catarina e em todo o Brasil tem relação com a crença de que a felicidade é alcançada quando a mulher encontra um par, o que não condiz com a realidade, já que todos podem ser felizes sozinhos. “Mas quem não quer um parceiro, um grande amor? Então explorando esse sentimento humano é que os criminosos aplicam esse golpe”, disse.

Fabiana comenta que o perfil do criminoso na internet tem quase sempre as mesmas características: um homem de meia idade, com uma boa imagem, boa formação e que mora nos Estados Unidos ou países árabes e que muitas vezes tem fotos com crianças que seriam supostos sobrinhos e aparentemente se mostra muito afetuoso. Ele se aproxima das vítimas por redes sociais como Facebook e Instagram e inicia uma conversa despretensiosa e aos poucos envolve as mulheres. “Esse homem não demonstra pressa, mas sim apreço, carinho, boa vontade para ouvir. Manda mensagens bonitas todos os dias e procura compreender”.

Depois de ganhar a confiança da vítima e estabelecer uma relação afetiva, o golpista utiliza algumas situações, entre elas a de afirmar que quer mandar um presente ou mesmo que quer vir para o Brasil para o tão esperado encontro. “Nessa de querer vir ele passa para a vítima, que a esta altura já está bastante envolvida e já enviou fotos, informações sobre sua vida e até endereço, a necessidade de eles se encontrarem e que precisa do dinheiro. Ou pede um valor para pagar tarifas aduaneiras, alfandegárias, impostos para a liberação dos supostos presentes como joias.”

A advogada ressalta que infelizmente depois de caírem no golpe e enviar dinheiro ou mesmo comprar passagens, como aconteceu no caso mais recente atendido por Fabiana onde a sua cliente perdeu R$ 22 mil, as mulheres acabam não fazendo nenhuma denúncia por vergonha. “Muitas não querem sequer fazer o registro. E é importante dizer que pode ser qualquer mulher, as intelectualizadas ou quaisquer outras também podem ser vítimas desse golpe, por isso é importante ficar atenta”.

Caso a mulher seja uma vítima de um golpe como esse a orientação é sempre procurar a polícia e fazer o Boletim de Ocorrência. O registro é fundamental para que o caso seja investigado e o criminoso possa ser identificado. A denúncia também serve de alerta para outras mulheres.