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Foto: Divulgação

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Desde o início da pandemia várias atividades foram suspensas. A maioria delas foram liberadas algumas semanas depois, mas muitos profissionais do setor de eventos continuam impossibilitados de trabalhar. Músicos da região já enfrentam dificuldades financeiras e se manifestaram através de um vídeo divulgado nas redes sociais onde pedem para que as autoridades mostrem preocupação com a classe.

Um dos participantes do vídeo é o cantor e compositor, Vando Bento, de Rio do Sul. Ele diz que essa pausa além de afetar a renda representa uma perda de vínculo com as pessoas. “Este momento está difícil para todos nós, estamos tristes de mãos atadas e voz calada. Estamos impossibilitados de trabalhar, vendo as famílias passar por necessidades. Todo esse tempo parados faz com que a gente perca o contato com o público que tínhamos nos restaurantes e bares.. A nossa ideia é sensibilizar as autoridades municipal e estadual e reunir o maior número de profissionais dessa área para fortalecer este apelo. Queremos trabalhar pois sabemos que em alguns lugares está tendo uma volta gradativa, com cuidados necessários, sabemos que os conjuntos estão parados e que os bailes não tem como acontecer, mas vemos bares lotados e músicos não podendo exercer a profissão. Música é trabalho, não é divertimento e muitos pais de família dependem dela para sustentar a casa”, explica.

Outro músico que aparece em vídeo é Fernando Fanton, ele pede através da mídia, que os governantes olhem para a classe musical. “No Alto Vale há muitos profissionais que tocam em bares e que têm passado por dificuldade. Todos estão sem trabalho e sem nenhuma perspectiva de quando voltam. A gente pede que os governantes olhem para nós”, avalia.

Já no município de Ituporanga, Leandro Vieira que trabalhava como músico afirma que viu a renda cair com as restrições impostas pela pandemia. “Eu tenho uma dupla, a gente tocava bastante. Era uma renda padrão e ficou muito difícil. A gente conversa com amigos do ramo e eles dizem que também estão em situação muito complicada. O grande problema disso tudo é que ficamos em últimos casos para tudo, então é a última coisa que vai voltar. A perspectiva que a gente tem hoje é ruim. Quem toca em restaurante, bar ou casa de show vai precisar até baixar os valores para que o próprio empresário consiga pagar. A forma de ver a música para o futuro vai mudar muito. Eu tenho medo da chamada prostituição do músico, vai ter quem vai tocar por um valor mais baixo e vai tocar mais. Principalmente no estado de Santa Catarina, os músicos são bem desassistidos, não temos muito apoio. Se eu dependesse apenas da música, eu tenho certeza que estaria passando fome agora”, completa.

Para o guitarrista rio-sulense, Cristiano Goulart, os governantes não estão pensando na classe. “O que está acontecendo é na verdade um descaso total para com os artistas, músicos em geral. Os bares estão abrindo, restaurantes também, mas um músico não pode estar no palco tocando. Eu me pergunto: O que uma pessoa vai fazer de diferente longe de todo mundo em cima do palco? Nada. Claro, sou contra de repente, colocar bandas com muitos músicos a tocar, muitos artistas em um palco pequeno pode gerar aglomero, compreensível, mas agora em um restaurante, um músico só não poder estar em um cantinho tocando é um descaso total com a classe”, disse.

Cristiano conta que toda a situação causou decepção e que perdeu as esperanças de que um dia volte ao normal. “Acho que está faltando empatia, faltando os governantes se colocarem no lugar do artista e perceber que o artista é um profissional, que sustenta sua família e depende do dinheiro que recebe com o trabalho. Eu não dependo só da música ao vivo para sobreviver porque sou professor de música, mas já não tenho o mesmo rendimento de antes. Muitos dependem exclusivamente disso e não possuem outra renda. Eu vejo mesas cheias de gente em restaurantes, pessoas conversando perto umas das outras sem máscara, mas o músico não pode estar lá para trabalhar”, finaliza.