Alto Vale
Foto: Divulgação

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Após quase dois meses do retorno da música ao vivo nos restaurantes, músicos do Alto Vale que tiveram sua renda atingida pelas restrições preventivas da pandemia fazem balanço da retomada e falam sobre expectativa para os próximos meses.

O músico de Rio do Sul, Cristiano Goulart, que também trabalha como professor de música e com produções musicais conta que apesar de não ser sua única fonte de renda, a música ao vivo nos estabelecimentos é um complemento essencial no rendimento mensal e que agora, está escolhendo melhor os locais em que fecha contrato. “Faz aproximadamente um mês e meio que os músicos puderam retomar suas atividades na noite e a galera está muito contente, muito feliz de poder trabalhar. Eu também voltei só que busco selecionar os lugares onde estou tocando. Só toco em lugares que me dão visibilidade, não só como músico, mas como professor também porque eu divulgo o meu trabalho diário na noite”, conta.

Apesar das dificuldades enfrentadas, Cristiano conta que esse período ajudou no seu jeito de ensinar e que precisou se adaptar às tecnologias necessárias. “Uma coisa eu posso garantir. Nessa pandemia, todo o artista de alguma forma se reinventou nas horas lives, no caso eu fortaleci ainda mais a minha didática de ensino como professor, mas estou feliz em voltar porque apesar da música na noite nunca ter sido a minha principal fonte de renda agregava bastante. Um cachê a mais, como eu tocava praticamente todos os finais de semana era um rendimento extra”, afirma. Ele lembra ainda dos amigos que perderam quase 100% da renda e que tiveram que buscar outras formas de ganhar dinheiro e se manter na área.

Além de Cristiano, muitos outros passaram pela mesma situação. A dupla Leo Vieira e Higor que toca em toda a região também parou com os trabalhos, no entanto, após autorização já fecharam vários contratos. O único problema, segundo eles é que alguns empresários estão desencorajados a contratar e têm medo de não lucrar o suficiente para pagar o músico. “A gente já fechou vários toques depois que autorizaram a volta, isso em várias cidades nas redondezas, o único problema é que nem todos os donos de restaurantes, barzinhos querem voltar a contratar porque continuam com medo. Eles também já perderam e tem custos maiores porque tudo aumentou”, comenta Higor.

Questionado sobre perspectivas para longo prazo ele diz que espera mais contratos e revela ter estudado bastante nos meses anteriores para não perder o ritmo. “A gente quer que nos próximos meses a situação comece a se normalizar para fechar mais contratos porque temos contas para pagar e apesar de não depender somente disso, esse dinheirinho que a gente ganha é muito útil. Agora, se vai mudar a gente não sabe porque não depende só de nós, da nossa vontade. É algo muito maior, depende de todas as pessoas”, afirma o músico.

Alteração na Matriz de Risco

Com a mudança na Avaliação de Risco Potencial esta semana, o município de Rio do Sul editou o decreto Nº 9.422, de 29 de outubro de 2020 que altera o decreto de 10 de agosto e suspende algumas atividades, no entanto, continuam autorizadas as apresentações de música ao vivo nos restaurantes e lanchonetes limitando a três, o número de músicos no palco mediante barreira de proteção, dando preferência ao acrílico.