Educação
Foto: Arquivo DAV

Helena Marquardt/DAV

Até esta quinta-feira (11) seis professores da Regional de Rio do Sul haviam aderido a greve estadual deflagrada pela categoria após assembleia organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Educação Pública Estadual de Santa Catarina (Sinte/SC). Todos os profissionais atuam na EEB Francisco Altamir Vagner, mas o número pode aumentar a qualquer momento.

Eles defendem que as aulas continuem de forma remota até que o contágio esteja mais controlado no estado já que de acordo com o Sinte as escolas não possuem estrutura para garantir as definições dos Planos de Contingência e o sistema de saúde está em colapso.

O coordenador Regional do Sinte em Rio do Sul e Taió, Lothar Weise Filho, afirma que em nenhum momento o desejo dos professores foi de parar o trabalho e sim de trabalhar com mais segurança através das aulas remotas, inclusive garantindo a saúde dos próprios estudantes e famílias. “Tem que ficar bem entendido que não é uma greve geral. Nós queremos continuar trabalhando, no entanto de forma remota como era no ano passado. Isso pela situação totalmente sem controle que está a pandemia em Santa Catarina”.

Ele comenta que em muitas escolas alunos e professores estão sendo afastados por suspeita da Covid, mas nesses locais as aulas continuam normalmente, o que representa um risco para dezenas de pessoas que podem ser infectadas também. O coordenador diz ainda que a paralisação é uma forma de pressionar o Governo do Estado. “O contágio está muito acelerado, o número de mortes nunca esteve tão alto e não temos vaga nos hospitais e não há nenhum controle efetivo no ambiente escolar para garantir a integridade dos alunos e dos trabalhadores da educação”, opina.
O Sinte alega que epidemiologistas respeitados do país já afirmaram que estudos apontaram que casos de covid e de mortes explodiram em São Paulo e no país após a abertura das Unidades de Ensino para as aulas presenciais, por isso eles tentam alertar a população de que as escolas podem ser centros de disseminação da doença.

Lothar informa que em função da pandemia o próprio Sindicato tem evitado ir até as unidades conversar com os profissionais para aumentar a adesão e a orientação é que os professores conversem entre si e ao perceberem que a situação da contaminação se agrave elaborem um documento e entreguem a direção da unidade comunicando a suspensão das atividades presenciais. “A grande maioria dos professores ainda não parou porque está na expectativa de que o governo tome uma atitude responsável diante de todo esse quadro que se apresenta e suspenda temporariamente as aulas presenciais até que se tenha o efetivo controle da doença”.

O gerente da Coordenadoria Regional de Educação de Rio do Sul, Ernani Schneider, garante que na região há todas as condições para as aulas presenciais com segurança. “Evidente que há um aumento no número de casos, mas não por conta da escola, pelo menos é essa a nossa leitura. Se as autoridades sanitárias têm razão o distanciamento, álcool gel e uso de máscara vão nos prevenir muito bem e não tem razão de ser a informação que o Sinte coloca no documento da greve. Alguns pais têm insistido em encaminhar alunos com sintomas para a escola, mas eles são imediatamente identificados e existe uma sala para onde os estudantes são direcionados e os pais são chamados e orientados que o aluno precisa ficar em casa, assim como os professores que tem sintomas suspeitos e passam a fazer trabalho remoto. Estamos agindo com todo o cuidado possível na preservação das vidas”, finaliza.

Morte de professora

A professora Roseli Staloch de 52 anos, que atuava na EEB Walter Probst, em Aurora, foi mais uma vítima da covid. Ela estava internada na UTI há alguns dias e faleceu na manhã desta quinta-feira por complicações da doença. O município de Aurora decretou luto oficial de três dias.