Alto Vale
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Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Além da preocupação com o avanço da covid em Aurora, uma situação vem chamando a atenção das autoridades de saúde: é que muitos moradores que tiveram contato direto com pacientes positivados e que também estão apresentando sintomas gripais se negam a fazer o teste para o diagnóstico da doença e dessa forma ficam sem fazer nenhum isolamento, colocando em risco a saúde de outras pessoas da comunidade.

A responsável pela Vigilância Epidemiológica, Ana Paula Sebold Zimermann, comenta que esse é um novo cenário do coronavírus no município e que impede a quebra da cadeia de transmissão. “Muitas pessoas tiveram contato com positivados e apresentam sintomas leves a moderados, mas não procuram o serviço de saúde e não estão fazendo o isolamento. Elas vão na farmácia, pegam uma medicação para gripe,mas não tem o diagnóstico, só que potencialmente a chance de estarem contaminadas é grande”.

Sem o teste e a notificação entregue quando ele é feito, os pacientes não são obrigados por lei a fazer isolamento, uma situação que preocupa as autoridades de saúde. “É uma nova rotina. As pessoas mantém a vida social, continuam trabalhando normalmente e nós não temos como agir para garantir o isolamento sem essa notificação de exame positivo. A gente recomenda o isolamento depois que a pessoa procura o serviço de saúde e a partir dai fazemos o acompanhamento, sem isso não temos o respaldo legal para cobrar”.

Segundo a enfermeira, essa negativa de fazer o teste mesmo apresentando sintomas pode acarretar em duas situações graves. A primeira é contaminação de um grande número de pessoas e a segunda é o agravamento do quadro de saúde por complicações causadas pela covid. “Se a pessoa procura tardiamente o serviço de saúde e não é acompanhada de forma adequada desde o começo da doença, ela tem uma chance de agravamento muito maior”, ressaltou.

Os profissionais de saúde relatam que o covid não tem um comportamento padrão e mesmo pessoas que não apresentem falta de ar, por exemplo, podem estar com um comprometimento pulmonar, por isso , é essencial procurar atendimento médico para o monitoramento e tratamento desde o início dos sintomas. “As vezes a pessoa sente falta de ar quando o pulmão já está 70%, 80% comprometido e aí pode ser tarde demais, essa é uma situação que já aconteceu conosco e queremos diagnosticar precocemente para que haja tratamento específico e que se esse paciente precise de hospital seja encaminhado em tempo oportuno”.

Ana comenta ainda que quem apresenta sintomas da covid e não faz o teste acaba colocando em risco toda a comunidade e ferindo o direito das outras pessoas à saúde. “A gente fica sabendo dessas situações pelos outros pacientes que estiveram juntos e foram positivados, mas nós não podemos ir na casa das pessoas e colocá-las em isolamento só porque outros falaram. O paciente tem que procurar o serviço de saúde”.

Ela ressalta que os pacientes que apresentam sintomas de covid têm direito a atestado médico e não precisam ter medo do diagnóstico pois não serão prejudicados de nenhuma forma e que o maior prejuízo pode ser para a sua saúde caso não faça o teste e tenha complicações. “Hoje estamos com muitos casos ativos e seis pacientes internados com idades entre 32 a 55 anos, o que mostra a eficiência da vacina, mas é uma luta de gato e rato porque percebemos que está tendo uma diminuição significativa com os cuidados”, conclui.

PM pede denúncias sobre “quebra” de quarentena

O comandante do 13° Batalhão da Polícia Militar, Anderson Maia, diz que a PM da região também tem a preocupação nesse sentido, mas só pode fiscalizar o cumprimento do isolamento para casos positivados. “As pessoas aí assinam um documento se comprometendo a ficar em isolamento na sua residência até que a infecção melhore, mas até isso para nós é uma tarefa muito árdua porque dependemos de informações das pessoas que conhecem esses pacientes positivados e que identificam eles circulando”.

Maia afirma que através das denúncias a comunidade pode contribuir com o trabalho e até mesmo com a punição dos pacientes caso estejam propagando doença contagiosa quando deveriam estar em isolamento. “Nessa situação cabe um Termo Circunstanciado, uma obrigatoriedade que ela retorne a quarentena e informamos o Poder Judiciário para que ela responda perante a justiça”, finaliza.