Alto Vale
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Luana Abreu

 

Morto depois de levar dois tiros no peito ao final do expediente de quarta-feira (8), o prefeito de Imbuia, João Schwambach (MDB), foi enterrado na tarde desta quinta-feira (9), na comunidade Evangélica de Samambaia. O velório do político reuniu centenas de pessoas e o crime comoveu todo o Alto Vale.

 

De acordo com as informações repassadas pelas polícias Civil e Militar, o autor dos disparos já foi identificado e teve a prisão decretada, mas o motivo do crime está sendo investigado. Segundo a Polícia Civil, o alargamento de uma estrada e a retirada de árvores dentro do terreno do autor dos disparos chegaram a ser apontados como o motivo do assassinato, mas essa versão não foi confirmada pelas pessoas que estavam próximas ao local e pelo filho do suspeito, que não quis se identificar.

“Meu pai, inclusive, já havia feito o corte das árvores”, afirma.

 

O secretário de Administração, Neri Fermino, explicou que estava com o prefeito minutos antes do fato, por volta das 17h30, e conta que ouviu os disparos.

“Reconheci que eram tiros, mas não imaginei que tivessem sido contra ele. Recebi uma ligação informando da morte do prefeito e a nossa principal suspeita, até então, era de que fosse um infarto, já que ele sofria de pressão alta. Os populares que o encontraram caído ao lado da prefeitura, já sem vida, viram as marcas dos tiros. Verificamos as câmeras de segurança da prefeitura e confirmamos então que ele havia sido baleado”, relata.

 

De acordo com o filho mais velho do prefeito, Valdonir Schwambach (40), ele não tinha nenhuma desavença política ou pessoal que pudesse motivar o crime.

“Ele era uma pessoa muito querida por todos. Sempre muito participativo nas ações que a comunidade organizava. Não dá pra explicar, entender porque isso aconteceu. A única pessoa que poderia dizer mesmo é quem matou ele. Porque ninguém acredita ainda”, explica.

 

O ex-prefeito de Imbuia, Antônio Oscar Laurindo, também lamentou a morte do Chefe do Executivo Municipal.

“O João era uma grande pessoa. Nós já fomos adversários políticos, mas na última eleição que disputei, o convidei para ser meu vice. O município, com certeza, perde muito e vamos precisar da ajuda de toda a comunidade para continuar o excelente trabalho que ele vinha fazendo”, comenta. Laurindo comentou ainda que não sabe o que pode ter levado o autor dos disparos a cometer o crime. “Foram amigos a vida inteira, inclusive, colegas no MDB. Acredito que não tenha sido briga política”, pontua.

 

Vice-prefeito

 

Amilton Machado, o Bica (PP), assume automaticamente a chefia do Executivo. A lei orgânica do município autoriza a posse sem precisar do aval da Câmara de Vereadores. Ele não quis se manifestar sobre o ocorrido. Segundo pessoas ligadas ao vice, os trabalhos que vinham sendo conduzidos por Schwambach terão continuidade.

 

De acordo com o soldado da PM, Eliton Gaspar, o suposto autor não foi visto saindo do local, mas logo após o crime, deu entrada no hospital Bom Jesus, em Ituporanga, em estado grave, com um ferimento de arma de fogo na cabeça. O idoso, foi encontrado em estado grave, pelo próprio filho, que o encaminhou até a unidade. Por volta das 22h o paciente foi transferido para o Hospital Regional Alto Vale onde permanecia na UTI até a tarde desta quinta-feira.

 

 

Câmeras filmam o homicídio

 

Segundo a Polícia Militar, que atendeu a ocorrência, câmeras de segurança da prefeitura filmaram o crime. O homem que matou o prefeito estacionou uma Ford Ecosport ao lado da Toyota Hilux de João. Ficou no local por cerca de 10 minutos até que a vítima apareceu.

 

Neste momento, o prefeito olha para o carro do suspeito, como se tivesse sido chamado e é atingido por dois disparos de arma de fogo no peito. Ele corre por alguns metros para o lado da prefeitura, mas logo cai no local onde o corpo foi encontrado. A Ecosport então é gravada saindo do local.

 

Trajetória

 

Nascido na comunidade Café, em Major Gercino, em 24 de julho de 1960, João Schwambach é filho de Pedro Schwambach Junior e Olga Rossfler Schwambach. Aos dois anos, foi adotado por Wilibaldo Eger e Clarentina Arnold Eger, quando se mudou para Imbuia, na comunidade de Campo das Flores. Completou o ensino médio depois de adulto. Aos 18 anos conheceu sua primeira esposa, Célia Scheidt, com quem teve quatro filhos: Valdonir e Valdair, Marcia e Marciana (ambas in memorian). No segundo casamento, com Adenilse Arnold Schwambach, teve quatro filhas: Fernanda, Luana, Rafaela e Joana. Ele deixa cinco netos: João Schwambach Neto, Eduardo, Pedro Henrique, Luiza e Augusto. Recentemente descobriu que seria avô novamente.

 

A primeira eleição de Schwambach foi em 1992, quando recebeu 7% dos votos e se tornou um dos oito vereadores do município, o terceiro mais votado. Na eleição seguinte, em 1996, novamente se candidatou e dessa vez foi o mais votado da cidade. A carreira política seguiu e ele foi por duas vezes vice-prefeito, antes de ser eleito prefeito em 2016, mandato que seguia até o momento.

“Ele estava pensando em reeleição esse ano. Ele era muito querido e queria continuar trabalhando pela cidade”, afirma o filho.

 

Schwambach sempre participou ativamente do grupo evangélico, desde pequeno, quando era levado pelo pai. Inclusive, auxiliou na construção da Igreja de Samambaia enquanto era presidente da comunidade. Foi aí que surgiu a ideia de entrar para a política, conta o filho Valdonir Schwambach. “Como ele começou a conhecer muita gente, e gostavam dele, todos pediam pra ele se candidatar e ele foi”. A primeira eleição foi em 1992, quando recebeu 7% dos votos e se tornou um dos oito vereadores do município.

 

O prefeito deixa seis filhos: quatro mulheres e dois homens. Era agricultor do ramo de cultivo de cebolas. A prefeitura de Imbuia decretou luto oficial por três dias. O Governo do Estado de Santa Catarina, através da governadora em exercício, Daniela Reinehr, e a prefeitura de Rio do Sul, também fizeram o decreto.