Alto Vale
Foto: Aline Leonhardt - A espécie Valessul reúne o ciclo da espécie Bola Precoce, com a cor e capacidade de armazenamento da cebola tipo Crioula COP

Cor e precocidade, estas duas palavras definem o desejo de muitos agricultores quando o assunto é variedade de cebola. A Valessul foi lançada oficialmente em março deste ano, mas nas últimas duas safras já faz parte da rotina das lavouras de muitos agricultores, de forma experimental. A cultivar reúne o ciclo da Bola Precoce, com a cor e capacidade de armazenamento da Crioula.

A Bola Precoce é a cebola mais produzida no estado, responde por cerca de 50% a 70% das lavouras. Foi lançada em 1986, após quase dez anos de pesquisa na Estação Experimental da Epagri em Ituporanga. Mas a Valessul tem tudo para tomar este espaço cativo da antecessora. E o que ela traz de diferencial é justamente a cor, e assim, a capacidade de armazenamento nos galpões por mais tempo.

Daniel Pedrosa Alves, melhorista da Estação Experimental da Epagri em Ituporanga, diz que a cultivar era o sonho de consumo dos agricultores. “Junto com esta característica visual da casca, ela tem uma conservação pós-colheita bem melhor, o agricultor vai perder menos durante o armazenamento. Ele vai ter mais capacidade de venda, porque vai poder vender quando quiser. Se o preço estiver ruím, vai conseguir armazenar por mais tempo, e se tiver bom, vender direto”, enfatiza.

E tem diferença também na lavoura. É mais resistente a doenças e por ter folhas mais eretas, permite melhor manejo delas, o chamado controle fitossanitário. Esta característica também garante uma maior população por hectare. “Então o produtor que faz semeadura direta e trabalha com populações maiores pode adensar mais com esse novo cultivar”, explica Pedrosa.

Da pesquisa para as lavouras

Em 2017, A Agritu Sementes, de Ituporanga, venceu a chamada pública para multiplicar e comercializar as sementes. Cerca de dez mil quilos de bulbos foram plantados nas áreas de produção de sementes na região de Bagé, no Rio Grande do Sul. O diretor da Agritu, Sebastião Muller, explica que as expectativas são boas. “Neste ano está se fazendo o plantio de bulbos certificados para a colheita de sementes certificadas no próximo ano. É um material que realmente tem um grande potencial e deve cair na graça do produtor”, explica.

As sementes devem começar a chegar no mercado na próxima safra, ainda de forma limitada, por causa da baixa quantidade de bulbos disponível para a multiplicação. “A Agritu é hoje a única empresa que poderá multiplicar e vender as sementes da Valessul e da Poranga, que também teve o direito adquirido na chamada pública da Epagri”, explica Muller.

A expectativa do gerente da Estação Experimental da Epagri, Claudinei Kurtz, é de que nos próximos três anos a Valessul responda por até 30% da área plantada em Santa Catarina e possa bater de frente com as cebolas importadas. “A cor e a precocidade nos dão garantias de competir com estes países, principalmente Argentina, pois vamos colocar no mercado um produto de qualidade”.

E a área de melhoramento genético da Epagri já está com novas pesquisas. Destaque para as variedades mais resistentes a doenças. “De modo que o produtor possa diminuir o custo de produção, usar menos fungicidas e agrotóxicos e ter um produto de mais qualidade, além de menores danos ambientais”, completa Kurtz.

Aline Leonhardt