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Reportagem: Gabriela Szenczuk/DAV

Em meio à pandemia do coronavírus que tem afetado diversos setores sociais e econômicos, a readaptação da educação tem preocupado muitos pais, alunos e professores de todos os níveis de ensino. Com isso, alguns profissionais de pedagogia têm se reinventado nesta época de isolamento social e buscado formas de garantir rendas alternativas e, ao mesmo tempo, contemplar a necessidade de pais e alunos que se sentem desamparados de alguma forma pela ausência das aulas presenciais.

Uma aluna da sexta fase de pedagogia da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) que é natural de Rio do Sul e hoje reside em Florianópolis, com a suspensão das aulas presenciais na universidade e na escola que ela trabalha como professora assistente, voltou à capital do Alto Vale com uma ideia: dar aulas particulares para crianças com pais que trabalham fora de casa e necessitam de um auxílio maior no processo de aprendizagem dos filhos.

Belisa Goulart, de 23 anos, mais conhecida como “Prof. Be” por seus alunos, está na fase final da faculdade e, como já atua na área e tem experiência em um colégio particular na capital do estado, agora trabalha com aulas online, vídeoaulas e contações de história. Ela trouxe na bagagem o conhecimento para Rio do Sul e inovou oferecendo as aulas particulares. “Sem aulas na Udesc e com aulas online no colégio onde trabalho, fiquei com mais tempo livre e sentia muita falta de ter o contato físico com as crianças. Por isso surgiu a ideia das aulas particulares, comecei a divulgar nas minhas redes sociais, e comecei a ser procurada pelos pais”, conta.

Ela explica que a maior procura se dá por conta de dificuldades que os pais enfrentam em conseguir acompanhar as aulas online, realização das atividades e conciliar o trabalho com a assistência escolar. “As crianças dos anos iniciais – que são os alunos que eu tenho dado aula – precisam da ajuda de alguém tanto na realização e melhor compreensão das tarefas, como na parte de postagem online das atividades. A maioria não tem essa independência de acessar os sistemas eletrônicos nem postar os conteúdos pedidos sem o suporte de alguém”, explica. Ela esclarece, ainda, que como esta fase inicial das crianças é a fase que marca o período de alfabetização, a presença de um adulto é indispensável.

Belisa conta que o primeiro processo da aula começa na sondagem, quando ela estuda em que nível o aluno está de alfabetização, aprendizagem e entendimento para ver como será a forma de abordar cada conteúdo. Depois, é feito um mapeamento das dificuldades e dúvidas da criança para, então, partir para a realização das atividades. De acordo com ela, o diálogo é um fator fundamental neste processo de readaptação educacional, uma vez que há contato não apenas com as crianças, mas também com os pais ou responsáveis, que ajudam a apontar onde há maior dificuldade para que ela possa focar naquele ponto. “Tem sido uma experiência bem legal pra mim, além do retorno financeiro extra que recebo. É algo que vem sendo importante pra mim, como profissional, porque eu sentia muita falta deste contato com as crianças. Acredito que tem sido bom para os alunos, mas melhor ainda para mim, pois é onde eu amo estar: junto com as crianças”, diz.

Mariana e Maria Clara Strey foram suas primeiras alunas, do segundo e quinto ano. Elas têm aulas online de manhã e atividades com datas e horários limites a serem postadas no sistema do colégio onde estudam. “Com estas meninas eu tenho feito o trabalho de auxílio na realização destas atividades. Então eu sento com elas, retomo alguns conteúdos e aí realizamos as atividades. Porém, nada impede de que eu prepare e faça com elas jogos e conteúdos diversificados, que vão além das atividades requisitadas”, concluiu.

A mãe das meninas, Maria Helena Zimmermann Strey, tem mais uma filha, de 14 anos, que já conduz os estudos sozinha, mas relata que Mariana e Maria Clara, de 7 e 10 anos, têm se beneficiado com as aulas de Belisa. A mãe diz ainda que as aulas online são de grande importância para este momento de pandemia para que as crianças continuem tendo uma rotina e a responsabilidade do aprendizado. Entretanto, ela vê o trabalho de Belisa como essencial. “Ela consegue transmitir o que às vezes o professor, de forma online, não consegue. E nós, pais, estamos o dia inteiro fora pelo trabalho. É difícil chegar em casa tarde, acompanhar horas de aulas e ainda ajudar nas atividades tirando dúvidas. Então esse trabalho da Belisa está sendo maravilhoso. Ela tem um método de ensino que faz com que a gente se sinta seguro de que nossas filhas realmente estão aprendendo e ainda passa um relatório no fim do dia com as dificuldades e necessidades do teu filho. Isso nem sempre a gente tem na própria escola”, conclui a mãe.

Outra mãe que procurou os serviços das aulas particulares foi a Flavia Dumke, que tem uma menina de 10 anos e um menino de 6 anos. Isabela está no quinto ano do Ensino Fundamental e Pedro, no primeiro ano da Educação Infantil. Ela conta que procurou a ajuda pedagógica porque se viu sem dar conta de ajudar nas tarefas dos dois filhos. “Eu como mãe tento ajudar da melhor maneira, mas nem sempre é possível conciliar tudo. Nem sempre eu consigo acompanhar as aulas ao vivo que o Pedro participa, por exemplo. E isso acaba sendo frustrante pra mim, como mãe e para ele, porque ele fica triste de nem sempre conseguir participar das aulas e atividades propostas pela professora”, relata. Flávia conclui dizendo que se sente mais aliviada com essa ajuda. “Um investimento que a gente faz é a educação dos nossos filhos. Então a gente não pode parar e estacionar a aprendizagem deles porque é o princípio de tudo. Tá difícil para todos os pais, mas ainda bem que a gente tem esse tipo de profissional que pode nos ajudar em momentos como esse.”