Agricultura
Foto: Renata Vieira Epagri

Reportagem: Cláudia Pletsch/DAV

A produção da noz-pecã vem ganhando força entre os agricultores do Alto Vale, na região já são cerca de 140 hectares plantados, distribuídos entre 50 produtores. O cultivo vem ganhando visibilidade pela alta rentabilidade em comparação com outros plantios, mas os interessados em produzir, devem ter paciência, isso porque a planta demora mais de cinco anos para começar a dar o fruto.
O Francisco Valdir Hillesheim é morador do bairro Coqueiral no município de Aurora e plantou quatro hectares da noz há cerca de quatro anos, ele ainda está na fase de condução e implantação das árvores, mas conta que nesse ano já colheu algumas frutas para consumo. Francisco explica ainda, que decidiu fazer o plantio depois de participar de um encontro junto com o Instituto Federal Catarinense. Além da noz, nos hectares plantados ele ainda cultiva soja e milho, já que a plantação da árvore não impede outros plantios. “Eu já estou aposentado e essa é uma atividade que não vai me exigir tanta mão de obra, a mão de obra que eu vou passar a ter seria na hora da colheita, que é pelos meses de abril ou maio, e geralmente nesses meses a mão de obra é menos onerosa na região. Durante o verão não tem muito trabalho no plantio a não ser adubação e manter uma certa limpeza. O maior trabalho foi no início que eu tive que ficar de olho na formiga, que esse é o maior cuidado inicial para ter sucesso na atividade, além disso como eu fiz minhas próprias mudas, também tive um trabalho maior no início, agora o custo para manter é menor e vai me dar uma boa renda a longo prazo”, conta.
As expectativas do Francisco quanto a colheita são as melhores possíveis e ele ainda diz que acredita que a planta pode ser um meio de manter a agricultura familiar da região em pleno funcionamento. “Por hectare em plena implantação 2 mil quilos é considerada uma produção boa, já agora acima disso passa a ser bom e até excelente por isso eu imagino que para a região vai ser uma atividade que pode manter bastante gente na agricultura, pois ela dá uma renda considerável, mesmo que seja a longo prazo, mas eu penso que é uma atividade que dá uma renda significativa”, avalia.
O Glauco Lindner é extensionista rural da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), ele foi um dos idealizadores da plantação no Alto Vale e conta que plantou a fruta há cerca de 50 anos. Glauco ainda explica que em 2007 fez um novo plantio na lavoura junto com o pai, dessa vez foram 500 pés da furta distribuídos em cinco hectares. “Nós temos um grupo regional de plantadores de noz-pecã, iniciei essa provocação para o plantio na região e como trabalho na Epagri, esse foi um trabalho dentro da Epagri, como a gente procura sempre alguma alternativa para os agricultores pensei em propor alguma coisa diferente para eles e eu também estava incluso nesse projeto”, relata.
O produtor diz que entre os meses de abril e junho é feita a colheita da fruta, e no último ano, a região do Alto Vale colheu cerca de sete toneladas. “Antigamente as árvores levavam mais de 10 anos para começar a produzir, hoje com 5 a 7 anos elas já começam a ter uma boa produção. Na nossa propriedade, a produção é orgânica e esse tipo de produção é incentivada para outros membros do grupo também. Aqui na região temos em torno de 50 produtores pois tem desde aqueles que tem 20 árvores e já conseguem tirar uma pequena renda, como aqueles que tem um plantio de 40 hectares em Dona Emma e José Boateux”, explica.
Atualmente o quilo da noz- pecã é vendido para a indústria por cerca de R$ 12,00 a R$ 15,00, e além do plantio da fruta, a lavoura pode lucrar com outros cultivos. Glauco explica que na região muitos produtores plantam grãos, hortaliças e frutas no meio das árvores. “Quando o produtor tiver com as árvores com 10 anos e cuidando do solo ele vai ter uma produção bem rentável, eu posso dizer com certeza que vai ser mais rentável do que qualquer outro grão seja milho, soja ou arroz e é uma cultura que pode ser feita junto com outros cultivos pois como ela é uma árvore, dentro do espaçamento que eu colocar o plantio eu vou poder ter pastagem ou outros cultivos como hortaliças, grãos e frutas por isso é importante que os agricultores da região conheçam e acreditem nesse cultivo, pois muitos se limitam a apenas duas ou três opções, as amêndoas de forma em geral são muito saudáveis e a noz-pecã talvez seja a mais especial entre as castanhas, ela é saborosa e tem uma versatilidade de uso muito grande na culinária, então isso também é importante”, finaliza.